Ações envolvem pesquisa e desenvolvimento, difusão e transferência de tecnologia, capacitação e produção vegetal e animal, gerando emprego e renda para centenas de famílias no campo
A Empresa Estadual de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) se destaca na execução de políticas públicas para a agricultura familiar e no apoio e sustentação ao desenvolvimento rural da Paraíba. Segundo a Empaer, um exemplo é a pesquisa agropecuária que gera e dissemina conhecimentos e tecnologias para inovar os sistemas agropecuários, difundindo e transferindo tecnologia nas áreas de meio ambiente, solos, irrigação, melhoramento animal e arranjos produtivos locais, para aumentar a renda e a qualidade de vida dos agricultores familiares e produtores rurais paraibanos, atuando em quatro principais linhas de ação: pesquisa e desenvolvimento; difusão e transferência de tecnologia; capacitação; e, produção vegetal e animal.
Estações Experimentais
Toda a infraestrutura de apoio à pesquisa está disponível em nove Estações Experimentais (EE) criadas para estudar fatores de produção agrícola e promover melhorias nas práticas agrícolas, fornecendo informações para aperfeiçoamento de métodos de cultivo e aprimoramento de plantas e animais. Na capital, João Pessoa, está a Estação Experimental Cientista José Irineu Cabral, e em Sapé, a EE do Abacaxi. No Agreste Paraibano, tem cinco estações: Alagoinha, Lagoa Seca, Tacima (EE Benjamim Maranhão), Soledade (EE Pendência) e Umbuzeiro (EE Presidente João Pessoa). No Sertão, estão localizadas as estações de Aparecida (nas Várzeas de Sousa) e de Itaporanga (EE Fazenda Veludo).
Conforme a Empaer, em 2024, as ações integradas da pesquisa agropecuária abrangeram metas ligadas a projetos de pesquisa para execução de ações nas áreas de desenvolvimento, difusão e transferência de tecnologias, produção vegetal e animal, arranjos produtivos locais e produção técnico-científica.

Bovinos
Segundo o gerente da Estação de Umbuzeiro, Gilvan Junior, a Estação Experimental de Umbuzeiro há mais de 90 anos desenvolve pesquisas de melhoramento genético de animais bovinos da raça zebuína, considerado de alto padrão genético.
Caprinos
Na Estação Experimental de Soledade são trabalhadas pesquisas de melhoramento genético de caprinos, conforme explica o gerente, Leonardo Medeiros. A caprinocultura de leite tem grande importância econômica e social para a Agricultura Familiar, gerando renda, fortalecendo a cadeia produtiva do leite e garantindo a segurança alimentar das famílias.
A Empaer trabalha com 2.984 famílias criadoras de caprinos cadastradas no PAA Leite, mas, atualmente, 1.162 criadores estão fornecendo leite. Outros produtores comercializam diretamente junto às cooperativas e laticínios. Nos 223 municípios paraibanos, 78.773 propriedades rurais exploram a caprinocultura.

Difusão e Transferência de Tecnologia Agropecuária
Outra iniciativa da Empaer é o programa de Difusão e Transferência de Tecnologia Agropecuária, com a realização de 40 eventos de capacitação para multiplicadores e produtores sobre manejo de ovinos, em sistema de confinamento, em 2024. Foram nove projetos de pesquisa e experimentação de melhorias dos recursos genéticos da produção vegetal e animal. Os resultados obtidos com a execução dos projetos de pesquisa são divulgados e difundidos em capacitações em dias de campo.
A multiplicação e distribuição de material genético melhorado visa contribuir com o fortalecimento socioeconômico dos Arranjos Produtivos da agricultura familiar, com a oferta de mudas, sementes, reprodutores, matrizes e outros materiais genéticos melhorados.
Leite
O Programa de Aquisição de Alimentos modalidade Leite (PAA Leite) promove a segurança alimentar e nutricional e fortalece a agricultura familiar com a compra e doação de leite para pessoas em situação de insegurança alimentar. Em 2024, foram atendidos 1.273 produtores em 61 municípios paraibanos, com atualização, renovação e emissão dos Cadastros de Agricultor Familiar (CAF). Foram comprados e doados mais de 9,07 milhões de litros de leite, sendo 3,93 milhões de litros de leite de vaca em 2024, e 5,92 milhões de litros de leite de cabra, no ano de 2024.
Alimentos
Com o PAA-CDS (Compra com Doação Simultânea), alimentos são adquiridos de organizações fornecedoras (cooperativas e outras organizações) constituídas por beneficiários agricultores familiares (gerando renda a esses fornecedores contemplados) e doados para unidades recebedoras (CRAS, bancos de alimentos, escolas, restaurantes populares), promovendo o acesso à alimentação em quantidade, qualidade e regularidade às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, atendidos pela rede socioassistencial, pelos equipamentos de alimentação e nutrição, pela rede pública e filantrópica de ensino e saúde. Foram 1.224 mil toneladas de alimentos comprados e doados, em 75 municípios.
Algodão orgânico
O Projeto Algodão Orgânico Paraíba, iniciativa do governo do Estado, consolidou-se como referência de desenvolvimento sustentável e inclusão social, gerando emprego e renda para centenas de famílias agricultoras na Paraíba. A cultura beneficia atualmente 367 famílias em uma área de 451 hectares plantados com algodão orgânico branco e colorido. Esse avanço é resultado do acompanhamento técnico continuado da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca (Sedap).
Os agricultores comemoram o resultado da safra agrícola 2024, com a produção de 162 toneladas de algodão em rama e pluma, que geraram um valor total de R$ 852.686 para a economia estadual, ou seja, mais de R$ 2.300 por família beneficiada.
Segundo o diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural da Empaer, Jefferson Morais, o crescimento da cadeia produtiva do algodão orgânico na Paraíba se destaca pela sua capacidade de criar valor agregado, integrando agricultores aos mercados nacional e internacional.
Ele afirma que o Programa Mais Algodão, liderado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), conta com a experiência da Empaer (PB) nos processos de formação de técnicos e de agricultores nos países da Cooperação Trilateral- Brasil/FAO e países da América Latina. Entre as contribuições destacam-se a assistência técnica e extensão rural, associativismo e certificação da produção, além de outras ações bem-sucedidas, como o consórcio do algodão com culturas alimentares e a organização da produção para os mercados.
O diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural da Empaer, Jefferson Morais, participou, na Colômbia, da Missão Brasil-FAO-Colômbia, realizada no âmbito do Projeto Mais Algodão, que tem o objetivo de fortalecer a produção sustentável do algodão na América Latina. No encontro, ele ministrou treinamento sobre modelos de certificação de algodão agroecológico/orgânico.
Região de Itabaiana
Na gerência regional da Empaer de Itabaiana, o Projeto Algodão Agroecológico/Orgânico abrange os municípios de Itabaiana, Ingá, Itatuba e Salgado de São Félix, com a participação de 63 famílias agricultoras, em uma área plantada de 98 hectares.
De acordo com o gerente regional, Paulo Emílio de Souza, a safra de algodão colhida no ano passado foi de 40.463 quilos, e há boas perspectivas de crescimento para a safra agrícola de 2025. “A nossa previsão é aumentar o número de agricultores de 63 para 98, o que representa um acréscimo de 55%. A área plantada deve passar de 98 hectares, em 2024, para 122 hectares neste ano, um aumento de 24,5%”, informou.
O agricultor, Osvaldo Bernardo de Sousa, do Reassentamento Águas de Acauã, em Itatuba, destacou a importância da Empaer no cultivo do algodão agroecológico/orgânico, especialmente em relação ao aumento gradativo da produção, ao controle de pragas e ao respeito ao meio ambiente. “A Empaer é fundamental no processo de crescimento da cadeia produtiva do algodão de forma sustentável. Apesar das dificuldades enfrentadas, como a carência de técnicos e de recursos financeiros, é uma instituição pública que tem apresentado excelentes resultados”, afirmou Osvaldo.
ATER
A Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), como política pública, proporciona a melhoria da qualidade de vida das famílias agricultoras paraibanas, envolvendo ações e serviços promotores do desenvolvimento rural sustentável, com capacitação das famílias agricultoras e dos técnicos extensionistas, promovendo o uso de tecnologias inovadoras e práticas sustentáveis, fomentando iniciativas para o incremento econômico e social das comunidades rurais em equilíbrio com o meio ambiente.

