O Programa de microcrédito rural do Banco do Nordeste já beneficiou quase 3 milhões de agricultores familiares e se tornou símbolo de transformação no campo
Há dez anos, a agricultora Maria Michele Patrício, de Brejo Santo (CE), deu um passo decisivo na vida de sua família. Com o apoio do Agroamigo, programa de microcrédito produtivo orientado do Banco do Nordeste, iniciou na criação de ovinos e, mais tarde, diversificou com hortaliças orgânicas. O crédito, acompanhado de orientação, permitiu estruturar um pequeno negócio que hoje emprega cinco famílias e abastece feiras locais. “O Agroamigo foi o começo de tudo. Se não fosse esse apoio, eu não teria conseguido investir e crescer”, resume Michele.
Criado em 2005, na primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Agroamigo completa duas décadas como o maior programa de microfinança rural da América do Sul. Já foram aplicados mais de R$44 bilhões em crédito produtivo, por meio de 8 milhões de operações. Quase três milhões de agricultores familiares tiveram acesso direto aos recursos, com impacto estimado sobre 16 milhões de pessoas em comunidades rurais do Nordeste e do norte de Minas Gerais e Espírito Santo.
Em 2024, o programa registrou o maior volume de contratações de sua história, com R$8,6 bilhões aplicados em atividades rurais. Comparando a média de 2023 e 2024 com a registrada entre 2019 e 2022, o crescimento médio foi de 126%. Para o Banco do Nordeste, trata-se de uma demonstração de que a estratégia de fortalecimento da agricultura familiar atende a uma demanda crescente por crédito e inclusão produtiva.
“O sucesso do Agroamigo é fruto de um esforço coletivo que envolve colaboradores, parceiros e a sintonia com as políticas públicas do governo federal. O crédito orientado, acompanhado de agentes de microcrédito, garante acesso a recursos, mas também a ferramentas de gestão que ajudam os agricultores a planejar melhor seus negócios e obter resultados sustentáveis”, afirma o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara.
Virada feminina
Um dos marcos mais relevantes da trajetória recente é a ampliação da participação feminina. Desde 2023, a maioria das operações passou a ser contratada por mulheres, fato que representa mudança cultural e econômica em regiões historicamente marcadas pelo predomínio masculino. A virada está em sintonia com o propósito do programa de estimular igualdade de oportunidades e fortalecer a presença das mulheres como protagonistas do desenvolvimento rural.
Com a mudança, cresceu também a diversificação das atividades financiadas. Hortas comunitárias, agroindústrias artesanais e iniciativas voltadas à sustentabilidade têm se multiplicado, reforçando o papel das agricultoras como agentes de transformação em suas comunidades.
Crédito ampliado
Outro avanço significativo foi a ampliação do limite de crédito às famílias, que passou de R$6 mil para até R$35 mil. A medida abriu caminho para investimentos em infraestrutura, mecanização, irrigação e diversificação produtiva. Agricultores que antes limitavam-se a pequenas iniciativas agora conseguem expandir negócios, gerar renda adicional e empregar mão de obra.
Esse salto de capacidade de investimento tem fortalecido segmentos variados, como horticultura, fruticultura, criação de pequenos animais e até turismo rural, consolidando o microcrédito como ferramenta estratégica para o crescimento do campo.
Inclusão e impacto social
Além do efeito econômico, o Agroamigo se destaca pela inclusão financeira. Muitos beneficiários nunca haviam tido acesso a serviços bancários antes do programa. O atendimento feito por agentes de microcrédito aproxima o banco da realidade dos agricultores, oferecendo orientação financeira e acompanhamento direto das atividades financiadas.
O modelo do Programa, reconhecido internacionalmente, contribui para reduzir riscos de inadimplência e aumentar a eficiência dos investimentos. Não por acaso, o Agroamigo tornou-se referência em políticas públicas de microfinança rural, estudado por instituições e governos de outros países.
“O Agroamigo é um caso de sucesso que orgulha o Brasil. São 20 anos promovendo autonomia, dignidade e oportunidades reais para milhões de famílias que produzem cerca de 70% dos alimentos saudáveis e sustentáveis consumidos no País”, reforça Paulo Câmara.
Futuro no campo
Ao completar 20 anos, o programa se projeta para o futuro com a missão de ampliar a digitalização, estimular práticas agrícolas sustentáveis e fortalecer a participação da juventude rural. A meta do Banco do Nordeste é que o Agroamigo siga sendo um exemplo de inclusão produtiva, reduzindo desigualdades e reforçando o papel estratégico da agricultura familiar para a segurança alimentar.
Enquanto isso, histórias como a de Maria Michele se multiplicam em toda a área de atuação do Banco do Nordeste. Agricultores que antes viviam à margem do crédito formal agora têm acesso a recursos, conhecimento e perspectivas de futuro. São homens e mulheres que, com apoio do Agroamigo, transformam suas propriedades, comunidades e o próprio campo brasileiro.


