Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul se destacam neste setor. Nos últimos anos, houve evolução em quantidade e produtividade. As 10 mesorregiões maiores produtoras de leite foram responsáveis por 43,33% do volume total do país
A produção brasileira de leite evoluiu nos últimos anos, em quantidade e produtividade, segundo o Anuário Leite 2025 da Embrapa, “Produção de leite e as mudanças climáticas”. De acordo com o documento, entre 1980 e 2000, a produção de leite saltou de 30 milhões para 43 milhões de litros/dia, chegando a 97 milhões de litros/dia em 2023, mostrando notável evolução no médio prazo. “Em paralelo, o número de vacas ordenhadas diminuiu de 17 milhões para 16 milhões entre 1980 e 2023. Esses números indicam que houve melhoria expressiva na produtividade brasileira, consequência de um processo contínuo de inovação tecnológica”, diz o estudo.
A evolução percorreu o seguinte caminho, saiu de 676 litros/vaca em 1980 para 1.105 litros em 2000 chegando a 2.259 litros, em 2023. “Ainda é um patamar modesto se comparado com os principais países produtores e exportadores de leite e derivados, mas representa com destaque um salto importante na evolução tecnológica do setor”, analisa o Anuário Leite 2025.
Em 2024, a produção estimada de leite de vaca foi de 35,7 bilhões de litros. O resultado corresponde a uma alta de 1,4% na produção nacional. O valor de produção do leite contabilizado em 2024 foi de R$ 87,5 bilhões, alta de 9,4% frente a 2023. O preço médio estimado pago ao produtor foi de R$ 2,45 por litro de leite, um aumento de 7,9% em comparação aos R$ 2,31 pagos no ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“As regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul continuam se destacando na produção, com ênfase aos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Juntos, esses cinco estados responderam por 68,63% da produção nacional, apresentando pequena redução na participação em comparação com 2022”.
O estado de Minas Gerais está na liderança (26,63%), seguido por Paraná (12,88%), e na terceira posição o Rio Grande do Sul (11,63%), ambos registraram queda na participação nacional, o que também ocorreu em vários outros estados. Pernambuco e Ceará confirmaram um pequeno aumento, com notável avanço na produtividade das vacas.
“Nos últimos 20 anos, a produção brasileira de leite aumentou 59%, enquanto o número de vacas ordenhadas teve redução de quase 19%, ao tempo em que a produtividade animal aumentou cerca de 95%. Tal índice passou de 1.155,71 litros/vaca/ano para 2.259,06 litros/vaca/ano nesse período”, destaca.
Conforme o Anuário Leite 2025 da Embrapa, as 10 mesorregiões maiores produtoras de leite foram responsáveis por 43,33% do volume total do país, repetindo praticamente a mesma participação apresentada em 2022. Essas mesorregiões produziram juntas 15,33 bilhões de litros de leite em 2023.
“Ao se analisar as mudanças na distribuição da produção leiteira entre as 10 principais mesorregiões produtoras de leite no Brasil e a produtividade nas duas últimas décadas, verifica-se que a região Sul do país e as mesorregiões de Minas Gerais se consolidam como grandes produtores, assim como, também, surgem mesorregiões do Nordeste com aumento importante na produção”, mostra o Anuário.
De acordo com informações do Anuário Leite 2025, o ano de 2024 foi bastante equilibrado para o mercado de lácteos no Brasil. “A média de preços do leite manteve-se em patamares favoráveis aos produtores, tornando a atividade mais rentável. Assim, a produção seguiu crescendo e contribuindo para o aumento da disponibilidade interna de leite”.
“Nos estados com dados mais atualizados e públicos, é notória a redução do número de produtores, ainda que a produção total não tenha sido muito afetada ou tenha até mesmo aumentado, como é o caso de Santa Catarina. Para ficar em dois exemplos, o Rio Grande Sul passou de 84.000 produtores em 2015 para 33.000 em 2023 e Santa Catarina, outro estado do Sul, saiu de 70.000 produtores em 2015 para 23.600 em 2023. Neste estado, a produção total subiu de 3,05 bilhões de litros para 3,20 bilhões no mesmo período”, mostra o Anuário Leite da Embrapa.
Rio Grande do Sul
De acordo com informações da Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2025 elaborada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, o Rio Grande do Sul tem um rebanho declarado de 1,04 milhão de bovinos (2025). A produção de leite está estimada em 4,14 bilhões de litros de leite/ano, segundo dados de 2023. Isso representa um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 7,92 bilhões (2024).
Os maiores rebanhos do RS estão em Santo Cristo (1º), Augusto Pestana (2º), Crissiumal (3º), Candido Godoi (4º), Ijuí (5º), Campina das Missões (6º), Marau (7º), São Francisco do Sul (8º), Ibirubá (9º) e Três Passos (10º).
Segundo a Radiografia da Agropecuária, a produção de leite tem grande relevância social e econômica e está presente em quase todos os municípios do RS. “São pouco mais de 30 mil propriedades que têm a atividade leiteira como uma fonte de renda. Das 240 estruturas instaladas para a industrialização de leite no estado, 69% estão no Sistema de Inspeção Municipal (SIM), 13% na Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (CISPOA) e 18% no Sistema de Inspeção Federal (SIF). O crescente aumento da profissionalização, com a introdução de novas tecnologias nas propriedades leiteiras, tem sido tendência e uma necessidade para a continuidade dos produtores na atividade”, afirma a Radiografia.
“Em 2024, o Rio Grande do Sul manteve a exportação de lácteos para 44 países, gerando US$ 24 milhões, tendo a terceira posição do ranking de estados exportadores do país. Por sua vez, a importação decresceu, atingindo US$ 83,4 milhões, no mesmo ano”.
Alternância
Conforme a analista da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), Mariana Oliveira, do IBGE, ao longo dos anos existe uma alternância entre as regiões Sul e Sudeste na liderança entre as Grandes Regiões com a maior produção de leite no país. “Atualmente, o Sudeste lidera após três anos de liderança da Região Sul”, explica ela.
Segundo o PPM, a produtividade é o diferencial no Sul, que possui a maior produção de leite por vaca no país. O Sudeste lidera no número de vacas ordenhadas, com destaque para Minas Gerais, que é responsável por cerca de um quarto da produção nacional de leite.
Mais uma vez, o PPM, mostra que o município de Castro (Paraná) liderou o ranking, com 484,4 milhões de litros, alta de 6,7% em relação ao ano anterior. Carambeí (Paraná) manteve a segunda posição, com 293,1 milhões de litros, e Patos de Minas (Minas Gerais) ocupou a terceira posição, com 226,9 milhões de litros.




