Hora de tirar a fome do mapa do Brasil

Por Wellington Dias, Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

Há pouco mais de dois anos, o fantasma da fome rondava as periferias das grandes cidades brasileiras, uma realidade silenciosa e dolorosa, e a esperança parecia distante. Hoje, a mesma paisagem conta outra história. Não por acaso: ela é fruto de uma engrenagem articulada e humana, que fez o Brasil sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) dois anos antes do previsto. Este não é um feito qualquer, mas a prova concreta de que, quando um país coloca seu povo no centro de suas prioridades, transformações profundas se tornam realidade.

Na primeira vez que o Brasil saiu desse triste mapa, o país precisou de 11 anos de trabalho. Desta vez, em apenas dois anos, retomamos o caminho e saímos com ainda mais força. A resposta para essa conquista está na soma de três fatores. A experiência acumulada do governo Lula, a governança articulada e uma estratégia inovadora que não teve medo de olhar para a nova face da fome.

Os números, antes de tudo, traduzem o drama e a superação. Entre os triênios de 2020-2022 e 2022-2024, o país reduziu de 17,9 milhões para 7,1 milhões o número de pessoas em insegurança alimentar severa. O total de brasileiros em situação de insegurança alimentar moderada + severa caiu de 46 milhões para 28,5 milhões. São famílias que voltaram a ter a certeza do alimento na mesa.

Estes números são o resultado de um sistema articulado, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Ele articula 24 ministérios, conecta o Governo Federal, estados e municípios em uma só rede, e, o mais importante, dialoga constantemente com a sociedade civil, por meio dos conselhos e conferências. A fome tem muitas causas, muitas caras, por isso a nossa resposta precisa unir esforços de várias áreas.

A estratégia foi adaptada para responder ao diagnóstico mais atual. O governo Lula percebeu que a fome de hoje, diferentemente de 2003, tem um rosto majoritariamente urbano. Diante desta nova realidade, não bastava replicar as bem-sucedidas políticas do passado, como retomar a construção de cisternas e fortalecer a agricultura familiar. Era preciso inovar. Daí nasceu a Estratégia Alimenta Cidades, uma política de abastecimento que conecta a produção do campo às mesas das periferias urbanas, combatendo a fome e a má nutrição onde elas mais se concentram.

Mas o compromisso deste governo vai além de garantir comida no prato. Programas como o Acredita no Primeiro Passo são a alavanca que está impulsionando milhões de brasileiros para a classe média, transformando a assistência social em um trampolim para a autonomia econômica. Ao ofertar crédito a juros baixos, suporte técnico a microempreendedores do Cadastro Único e emprego para beneficiários do Programa Bolsa Família e do CadÚnico, estamos garantindo oportunidades para todos. 

Em dois anos, o número de famílias em situação de pobreza no Cadastro Único caiu 25%. Eram 26,1 milhões de domicílios nesta situação, em maio de 2023, e 19,56 milhões, em julho de 2025. Isso significa que 6,55 milhões de famílias aumentaram o patamar de renda no Brasil para valor superior a R$218 mensais por pessoa, no período. Se for considerado o número de indivíduos, 14,17 milhões de pessoas melhoraram de vida.

Agora, o maior salto está na segunda etapa do Plano Brasil Sem Fome. Enquanto antes trabalhávamos com um cenário abrangente, agora agimos com precisão para executar o Protocolo Brasil Sem Fome. Como encontrar aquelas famílias historicamente invisibilizadas e de mais difícil alcance? A resposta veio da vigilância de segurança alimentar e nutricional.

Estamos construindo o legado de um sistema de proteção social sustentável. Um sistema que não apenas responde a crises, mas também as previne, e que não olha apenas para o número, mas enxerga o nome e o endereço de quem sofre. Sim, saímos do Mapa da Fome, mas nossa meta agora é tirar a fome do mapa do Brasil.