A pulverização com drones pode ajudar a superar um dos principais desafios enfrentados pela agricultura familiar no Sudoeste da Bahia: a dificuldade de mão de obra para o manejo fitossanitário das lavouras. Com esse foco, o Programa Fitossanitário da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) realizou, na quinta-feira (15), duas ações demonstrativas, nos municípios de Pindaí e Candiba, apresentando aos produtores e trabalhadores rurais o funcionamento da tecnologia e seu potencial de aplicação nas propriedades.
A iniciativa integra o trabalho de preparação para a próxima safra, durante o período de vazio sanitário, e considera as demandas identificadas junto aos produtores da região. Embora o algodão irrigado faça parte da produção de muitas dessas propriedades, o calendário agrícola também inclui outras culturas, como melão, tomate, cenoura e milho, que exigem cuidados fitossanitários.
Segundo o Gerente Fitossanitário da Abapa, Dr. Giorge Gomes, a dificuldade de encontrar trabalhadores para realizar as pulverizações está entre os desafios enfrentados pelos agricultores familiares. O método convencional, com pulverizadores costais, demanda tempo e pode ampliar a exposição dos operadores aos defensivos agrícolas, especialmente quando os Equipamentos de Proteção Individual não são utilizados corretamente.
“Quando o produtor realiza a aplica
ção com pulverizador costal, pode levar cerca de quatro horas para tratar um hectare, com consumo aproximado de 120 litros de água. Já com o drone, esse mesmo hectare pode ser pulverizado em cerca de sete minutos, utilizando de 10 a 15 litros de água. Além do ganho operacional, a tecnologia permite que o trabalhador fique fora da área durante a aplicação, reduzindo sua exposição direta à pulverização além de uma economia significativa de água, que é um bem que cada vez mais nós nos preocupamos em cuidar”, explicou.
A demonstração reuniu 32 participantes e buscou aproximar os trabalhadores rurais de uma tecnologia que ainda é pouco familiar para parte desse público. Muitos dos próprios produtores e funcionários das propriedades são responsáveis pelas aplicações, o que torna o acesso à capacitação um fator relevante para a adoção de novas ferramentas no campo.
Para Giorge, a familiarização com os equipamentos é parte essencial desse processo. “No início, toda tecnologia exige uma curva de aprendizado, todavia, operar um drone de pulverização pode ser mais simples do que parece. A proposta é mostrar aos trabalhadores que eles podem aprender a utilizar esse recurso e incorporá-lo à rotina da propriedade, com orientação e treinamento adequados”, afirma.
Ao longo da safra, o Programa Fitossanitário mantém atividades de calibração de aeronaves e drones pulverizadores, tanto no Oeste quanto no Sudoeste baiano. Conforme a demanda dos produtores, a iniciativa também poderá promover novas demonstrações em localidades que ainda não tiveram contato com a pulverização por drones.
A proposta é ampliar o acesso à tecnologia e contribuir para um manejo fitossanitário mais eficiente, seguro e compatível com as necessidades dos agricultores familiares, favorecendo o rendimento das operações e criando condições para o desenvolvimento das propriedades.
Texto: Abapa
Foto: Divulgação


