Mais uma turma do Curso de Produção de Morango em Substrato sem Resíduos de Agrotóxicos é formada em Teutônia

“Tentamos outras culturas como a cebola e o tomate, começamos e desistimos, erramos e acertamos, até chegar ao morango, que foi o fruto que teve melhor aceitação no mercado e com o consumidor”. A explicação dada pela jovem Angélica Del Rio da Silva, da longínqua Santa Margarida do Sul, explica parte da importância de participar, de forma presencial, de mais uma etapa do Curso de Produção de Morango em Substrato sem Resíduos de Agrotóxicos, que ocorreu entre quarta e quinta-feira (14 e 15/10), no Centro de Treinamento de Agricultores de Teutônia (Certa).

Ao lado do namorado Edilson Locatelli Lambrecht, a produtora saiu da cidade localizada na Região da Campanha, distante mais de 300 quilômetros do município do Vale do Taquari, encarando quase cinco horas de viagem para obtenção de conhecimentos em temas diversos, como montagem de estruturas produtivas, características de cultivares, manejo das plantas, controle de pragas e doenças e colheita e pós-colheita, entre outros. “Às vezes vamos meio que no ‘piloto automático’ e não percebemos que estamos desatualizados”, salienta Angélica.

Produtores de morangos há quase dez anos em uma região marcada por cultivos como soja, arroz, trigo e pecuária de corte, o casal busca quebrar alguns paradigmas para conseguir maior penetração do fruto no mercado local. Atualmente com oito mil pés plantados e uma produção média de 750 gramas por planta, que são comercializados in natura, Angélica e Edilson acreditam, a despeito de sua experiência, que possam evoluir nesses números. “Especialmente no que diz respeito às estratégias de controle de doenças”, afirma Edilson.

O casal explica que na região em que moram, os verões excessivamente quentes, pouca chuva e a presença constante do vento Minuano são barreiras que ampliam as exigências. “Ainda mais no nosso caso, em que nos empenhamos em produzir os morangos de forma ecológica, com o mínimo de aplicação de produtos químicos”, observa Angélica. Nesse sentido, vir presencialmente até o curso é uma forma de trocar informações não apenas com os extensionistas da Emater/RS-Ascar, mas entre os próprios cursistas da atividade.

“Nesta edição temos alunos de municípios um tanto distintos, como São Vendelino, Viamão, Igrejinha, Farroupilha, Santa Cruz do Sul, Montenegro, Sinimbu, Estrela, Lajeado e até Urubici, em Santa Catarina”, comenta o coordenador do Certa e extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Maicon Berwanger. “E isso é muito positivo no que diz respeito ao intercâmbio de conhecimentos, já que cada região possui um clima próprio, com suas características e necessidades”, analisa, destacando que as 16 horas-aula da qualificação abrangem toda a cadeia produtiva.

Maicon, que já era seguido por Angélica e Edilson no Instagram, por anteriormente já terem participado de um Curso de Dieta Para Vacas Leiteiras – a dupla possui 20 vacas em lactação, como parte do processo de diversificação da propriedade -, souberam do curso por ali. “Disse para o Maicon que desde 2020 não fazíamos nenhuma capacitação na área de morango e ele nos estimulou para estarmos presentes”, explica a cursista, que não nega a importância da qualificação. “Podemos até achar que não pela rotina, pela lida, mas precisamos”, ressalta Edilson.

Estimulados com a junção entre morangos e vacas leiteiras, o casal projeta para o futuro a implantação de uma possível agroindústria de derivados de leite. “O que eu queria era fazer um iogurte grego com morango”, sorri Angélica. Todo esse conjunto animou a irmã de Edilson e o cunhado a saírem da cidade para trabalhar no campo. “Um caminho que eu também já havia feito”, explica Angélica, que trabalhou durante quatro anos na Prefeitura de Santa Margarida do Sul. Se depender da disposição de ambos, esse futuro está garantido.

Certa promoverá Dia de Campo

O primeiro Dia de Campo em Tecnologias e Manejo na Produção de Morango já tem data marcada: será no dia 18 de novembro, no Certa. O evento é gratuito e será realizado em dois turnos, com duas turmas distintas para uma melhor experiência nas estações técnicas, estando a atividade da manhã prevista para começar às 8h, com a recepção e o credenciamento, e a da tarde às 13h.

Nas estações, os temas serão “Mais flores, mais frutos: indução de floradas e manejo nutricional eficiente”; “Morango de qualidade tem mercado: o caso de sucesso da Kuará Frutas”; “Origem e tipo de muda: como essa escolha impacta diretamente no comportamento das plantas” e “Novas cultivares: estratégias inteligentes para ampliar o seu período de colheita”. Na ocasião também haverá feira de expositores com empresas parceiras.

Texto: Emater

Foto: Divulgação

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