Do campo à mesa: propostas para fortalecer a segurança alimentar

Sistema OCB apresenta propostas para fortalecer crédito rural, agricultura familiar e economia verde 

O Eixo 2 do documento Propostas para um Brasil mais cooperativo, elaborado pelo Sistema OCB para contribuir com o debate eleitoral e subsidiar a formulação de políticas públicas para o próximo ciclo de governo (2027-2030), apresenta uma agenda de propostas voltadas ao fortalecimento da segurança alimentar e ao desenvolvimento sustentável. Entre as prioridades está o fortalecimento da política de crédito rural. O documento defende a manutenção de linhas de financiamento com recursos suficientes, juros compatíveis com a atividade agropecuária e maior previsibilidade para produtores e cooperativas planejarem investimentos de longo prazo.

Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, garantir um ambiente estável para o financiamento da produção é fundamental para assegurar a competitividade do agro brasileiro e o abastecimento da população. “O crédito rural é um dos principais instrumentos para garantir segurança alimentar e desenvolvimento econômico. Quando o produtor tem acesso a financiamento com previsibilidade, ele investe em tecnologia, amplia a produtividade e fortalece toda a cadeia de abastecimento. As cooperativas têm um papel estratégico nesse processo porque transformam crédito em desenvolvimento nas comunidades”, afirma.

Outro ponto considerado estratégico é a preservação das políticas públicas voltadas à agricultura familiar, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Para o cooperativismo, esses programas ampliam oportunidades para pequenos produtores, fortalecem a produção local e contribuem para o acesso da população a alimentos de qualidade.

Na avaliação da presidente executiva, as cooperativas são fundamentais para transformar essas políticas em desenvolvimento regional. “O cooperativismo organiza a produção, gera escala e cria oportunidades para milhares de agricultores familiares. Fortalecer programas como o PNAE e o PAA significa fortalecer a economia local, ampliar a renda no campo e garantir que alimentos produzidos pelos nossos cooperados cheguem à mesa dos brasileiros e às escolas públicas”, acrescenta.

A agenda também propõe o fortalecimento da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o aperfeiçoamento dos mecanismos públicos de comercialização agrícola e o aumento dos investimentos em pesquisa, inovação e assistência técnica, por meio da Embrapa, universidades e centros de pesquisa em parceria com as cooperativas. “A competitividade do agro brasileiro foi construída com base em ciência, tecnologia e inovação. Precisamos continuar investindo em pesquisa e levar esse conhecimento para quem produz. As cooperativas têm a capacidade de democratizar o acesso à inovação e fazer com que ela chegue também aos pequenos produtores”, defende Tania.

Economia de baixo carbono 

Além da produção de alimentos, a agenda preparada pelo Sistema OCB dedica um capítulo à ampliação da participação das cooperativas na transição para uma economia de baixo carbono. Entre as propostas estão a regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todos os estados, o fortalecimento do cooperativismo no Plano ABC+ e a consolidação do mercado brasileiro de carbono.

“Produzir de forma sustentável deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, é uma condição para ampliar mercados, atrair investimentos e gerar valor para quem produz. As cooperativas mostram diariamente que é possível conciliar produtividade, preservação ambiental e desenvolvimento econômico”, complementa a presidente executiva.

O documento também propõe ampliar os incentivos às cooperativas que atuam na geração de energia renovável, reciclagem, economia circular, eficiência energética e produção de biocombustíveis. A avaliação da entidade é que o modelo cooperativista pode acelerar investimentos em tecnologias limpas e ampliar o acesso da população à transição energética.

Segundo Tania, o caráter coletivo das cooperativas permite que tecnologias antes restritas a grandes empreendimentos sejam incorporadas também por pequenos produtores e comunidades. “A transição energética precisa ser inclusiva. O cooperativismo permite compartilhar investimentos, conhecimento e infraestrutura, tornando viável a adoção de energia renovável, eficiência energética e novas tecnologias por milhares de produtores que, individualmente, teriam muito mais dificuldade para fazer essa transformação”.

Dados apresentados pelo Sistema OCB mostram que as cooperativas respondem atualmente por 53% da produção nacional de grãos, enquanto 71,2% dos produtores cooperados pertencem à agricultura familiar. O setor também reúne mais de 9 mil profissionais dedicados à assistência técnica e extensão rural, o que reforça seu papel na disseminação de tecnologia e boas práticas no campo.

O objetivo da agenda é contribuir para a construção de políticas públicas que aproveitem o potencial do cooperativismo para enfrentar desafios estruturais do país. Ela já foi apresentada a todos os principais candidatos à Presidência do país e continuará sendo detalhada aos membros do novo governo a partir de 2027. “Trata-se de uma agenda construída a partir da experiência de milhares de cooperativas que atuam em todas as regiões do Brasil. São propostas voltadas para aumentar a produção de alimentos, fortalecer a agricultura familiar, acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e promover desenvolvimento com inclusão”.

Texto: Sistema OCB

Foto: Divulgação

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