
Apresentação da experiência de Nebraska, nos EUA, na 49ª Expointer, reforça parceria com o Estado
Um cenário de desafios crescentes para a produção agrícola, mas também de resultados positivos decorrentes da boa gestão dos recursos hídricos, demonstra que o Rio Grande do Sul pode encontrar alternativas para enfrentar eventos climáticos extremos, como estiagens e excesso de chuvas, que se alternam no Estado em pouco espaço de tempo.
O professor Ivo Zution, da Universidade de Nebraska-Lincoln (EUA), apresentou o caso do estado norte-americano no “Fórum RS Água & Futuro: Segurança hídrica e desenvolvimento, conectando setor público, especialistas e setor privado a uma agenda de longo prazo”, realizado pelo governo do Estado, nesta ultima quinta-feira (3/9), na 49ª Expointer.
Com menos chuvas e um inverno mais rigoroso, os Estados Unidos buscaram alternativas para garantir a produção agrícola ao longo dos anos. Entre 1974 e 2008, o país ampliou significativamente sua área irrigada.
Nebraska tem apenas uma produção por ano, com plantio em abril/maio e colheita em setembro, com destaque para o milho. Não há cultivo de outubro a abril. Segundo Zution, atualmente 85% da água utilizada lá vem do aquífero Ogallala (ou High Plains). “Temos o degelo das montanhas do Colorado (estado vizinho), que enfrenta uma seca. O Brasil é privilegiado, tem área disponível, clima favorável e recurso hídrico, mas não adianta o recurso se não se pode acessá-lo”, pondera.
Esse acesso passa por levar tecnologia ao produtor sem intervenções impensáveis. “São 30 metros de profundidade, é barato fazer o poço e o bombeamento”, avalia Zution. “A agricultura irrigada gera muitos empregos, gera desenvolvimento e qualidade de vida, muda a cara da região. É mais alimento não só na mesa dos produtores”, relata.
Em Nebraska, a gestão da irrigação é descentralizada, feita por pessoas locais eleitas. São lições aprendidas na experiência norte-americana: coletar dados de qualidade (gestão precisa de dados, com pesquisas); construir confiança entre os usuários (com divulgação online das informações, transparência); garantir o cumprimento das políticas e regras de uso da água; infraestrutura, com conectividade, energia e logística; e programas de extensão e interação com produtores.
Troca de conhecimento
O intercâmbio de informações entre Rio Grande do Sul e Nebraska não está começando agora. No ano passado, uma comitiva estadual esteve nos EUA para conhecer in loco o processo de irrigação desenvolvido por lá. Novas parcerias estão previstas com a participação da agência gaúcha Invest RS.
Durante o fórum, o diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Carlos da Silveira, apresentou a Política Estadual de Recursos Hídricos. O RS tem 25 bacias hidrográficas acompanhadas por comitês e 100 mil registros de usuários. “São desafios estiagens recorrentes e inundações, adaptação e resiliência aos eventos extremos, além do uso e da disponibilização da água, com a expansão sustentável da irrigação”, afirma.
A irrigação por aqui se destaca na produção de arroz, em 99,9% da área cultivada, seguida por feijão (2ª safra), com 18,8%; e milho (grão), com 17,4%. Na sequência, estão soja, com 3,8%; milho (silagem), 2%; e tabaco, 1,4%.
Texto: Brigida Sofia/Ascom Expointer
Foto: Brigida Sofia/Ascom Expointer


