2026, um ano para andar com os pés no chão

Por Maurício Buffon, produtor rural em Porto Nacional (TO) e atualmente presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil)

Apesar do agitado momento geopolítico, as perspectivas para a soja brasileira em 2026 são de produção superior à da safra passada, com aumento nas exportações e no esmagamento, mas com preços que podem cair devido ao câmbio e à oferta elevada.

O plantio de 2025/2026 tem projeção de expansão moderada, impulsionada por condições climáticas favoráveis, especialmente no Arco Norte, e recuperação no Rio Grande do Sul, fator chave para o aumento da produção após anos de perdas.

É esperado um crescimento de 3% a 4% nas exportações de soja em 2026, alcançando cerca de 108 milhões de toneladas. Agosto teve exportações aquecidas na soja, 30% acima de 2024, em decorrência da política do tarifaço implantada pelos Estados Unidos. 

No entanto, desafios como o acesso ao crédito, juros elevados, ausência de um seguro rural que dê tranquilidade ao produtor e o custo de produção podem frear o avanço da área plantada, gerando incertezas.

A consultoria Pátria Agronegócios estima que a Safra 2025/2026 tenha o menor crescimento de área desde a Safra 2006/07, de apenas 1,43%. A produtividade média está estimada em 3.461 Kg/ha (57,68 sacas/ha). Já a produção deve ser de 166,56 milhões de toneladas.

A expectativa de uma safra maior e de um câmbio desfavorável são elementos que podem levar os preços da soja a patamares próximos de R$ 100/saca em 2026.

O início do plantio de 2025/2026 foi marcado por tempo seco em algumas regiões, o que pode desafiar a semeadura e a germinação das lavouras. Cautela é palavra de ordem.

O cenário marcado pela baixa rentabilidade faz o sojicultor buscar soluções para dar vazão à produção. E um dos caminhos é direcionar grãos para as usinas produtoras de biodiesel.

Ao contrário dos combustíveis fósseis, que são finitos, a soja é uma fonte renovável de energia, o que contribui para a segurança energética e diminui a dependência do petróleo.

Além de outros tantos benefícios ambientais, como a menor emissão de gases do efeito estufa, o aumento do esmagamento propicia uma oferta maior de farelo voltados à alimentação de rebanhos, beneficiando a agroindústria.

Passando para os desafios da representatividade institucional, a Aprosoja Brasil vem fortalecendo sua participação junto aos deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária para solução dos gargalos da produção e garantir rentabilidade e segurança jurídica para os sojicultores.

Conquistamos grandes vitórias para o agro em geral nos últimos anos. Podemos citar entre elas a aprovação dos projetos de Lei dos Defensivos Agrícolas, que modernizou o registro desses produtos junto aos órgãos da esfera federal, a Lei dos Bioinsumos, que regulamenta a produção On Farm, e a Lei de Reciprocidade, que dá amparo legal ao Brasil para se contrapor a iniciativas de outros países contra produtos agropecuários brasileiros, além de tantos outros benefícios diretos e indiretos.

Atualmente estamos engajados em uma negociação com o governo federal para garantir ampla renegociação de dívidas dos produtores rurais atingidos por catástrofes climáticas do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, que nos últimos quatro anos enfrentaram severas estiagens, além de enchentes no caso gaúcho.

Os produtores podem ter certeza de que a Aprosoja segue comprometida em trabalhar por todos eles, principalmente os pequenos, que são a maioria, como temos feito desde 1990, ano de nossa fundação. Construímos ao longo de mais de três décadas relacionamentos políticos e institucionais baseados no compromisso com o produtor e na força do associativismo. É isso que torna a Aprosoja essa força, o fato de seus diretores serem produtores rurais, sem remuneração, sem apego ao cargo e com o olhar focado nas demandas dos produtores e do Brasil.