Produzir água e preservar solo

Desafio vencido. Capacitação sobre tecnologia social Barraginhas atende Escolas Famílias Agrícolas de Minas Gerais

Mais de 300 estudantes e professores de Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), de Minas Gerais, participaram de capacitações sobre Barraginhas, com a equipe da Embrapa Milho e Sorgo. Tecnologia social de grande relevância, as Barraginhas são pequenas bacias escavadas no solo com a função de captar enxurradas, controlar erosões e proporcionar a infiltração da água das chuvas no terreno. Assim, preservam o solo e promovem a recarga dos lençóis freáticos, que abastecem nascentes, córregos e rios.

Quatorze escolas de diferentes regiões de Minas participaram de sete capacitações realizadas no formato on-line pela Embrapa. Essa atividade faz parte do projeto “Implantação de Barraginhas em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) de Minas Gerais”, que tem como objetivo a disseminação da tecnologia social por meio da capacitação de multiplicadores.

Inicialmente, todas as EFAs do estado foram convidadas para uma reunião on-line em que foi apresentada a proposta do projeto. Em seguida, por meio de formulário eletrônico, foi feito o levantamento de disponibilidade de datas e horários das escolas para a capacitação. Assim, foi montado o calendário de aulas.

“A experiência foi honrosa, porque ministrar aulas on-line para as Escolas Famílias Agrícolas de todo o estado e passar as sementes da tecnologia social Barraginhas, em especial aos alunos, foi nosso plantio para a vida toda”, afirma o engenheiro agrônomo, Luciano Cordoval, coordenador do projeto. 

Durante as capacitações, Cordoval explicou como funcionam as Barraginhas, as fases de mobilização e o passo a passo para sua construção, além dos resultados alcançados com a implantação já realizada em diversas comunidades. Ele também apresentou outras tecnologias sociais que podem ter integração com as Barraginhas, como os lagos de múltiplo uso e as fossas sépticas.

“Achei uma experiência única, porque uma sala de aula é um desafio”, comentou Cordoval. Após cada apresentação com slides e explanações, havia momentos de interação com comentários e perguntas dos estudantes e professores das EFAs. “Algumas pessoas mais motivadas nos fizeram mais perguntas e nos levaram a enriquecer a apresentação. Sentimos como um fator limitante o fato de que essas escolas necessitam de uma boa estruturação de informática, sinal de internet. Alguns tiveram dificuldade de participação por esse motivo”, contou o agrônomo.

A professora, Lourdes Teixeira, da Escola Família Agrícola Vida Comunitária, de Comercinho-MG, comentou que a capacitação foi muito enriquecedora e as Barraginhas têm muita aplicação em sua região. A própria escola enfrenta dificuldades com a disponibilidade de água para sustentar os plantios que fazem parte das aulas práticas da grade curricular.

Para o pesquisador da Embrapa, Paulo Eduardo Ribeiro, membro do projeto que também atuou nas aulas, a primeira etapa foi muito rica. “Foram momentos de grande aprendizado mútuo e esperamos ter plantado uma sementinha, em cada aluno, sobre a importância da sustentabilidade hídrica, na agropecuária, e sobre nossa capacidade de interferir e promover essa sustentabilidade”.

Vencida a fase de aulas on-line, a próxima etapa é de capacitação presencial, em Sete Lagoas-MG, para escolas selecionadas. Em seguida, a disseminação da tecnologia social se dará com a implantação de Unidades Demonstrativas (UDs) em EFAs capacitadas. 

“De todas as escolas, quatro escolhidas, por critérios específicos, vão complementar, presencialmente, essa capacitação teórica e prática na Embrapa, em Sete Lagoas. E numa terceira fase, faremos quatro Unidades Demonstrativas com implantação de até 20 Barraginhas nessas EFAs selecionadas”, explica Cordoval.

O trabalho conta com parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo e a Amefa (Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas), que faz a articulação em rede estadual das EFAs. As escolas são comunitárias e trabalham com a pedagogia da alternância, metodologia de ensino que busca integrar a aprendizagem teórica com a vivência prática, especialmente, em contextos rurais. Os estudantes alternam períodos de estudos na escola e outros de atividades com suas famílias, o que visa promover uma formação mais completa e contextualizada.  

“Esperamos das EFAs e, principalmente, dos professores e alunos, que disseminem essa ideia, essa  bandeira das Barraginhas, em salas de aulas, e em suas caminhadas pela vida profissional, transferindo essa semente aos pais, irmãos, parentes, amigos, namoradas, esposas, vizinhos, produtores e por onde andarem”, concluiu Cordoval.

 Projeto

O projeto “Implantação de Barraginhas em Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) de Minas Gerais”, coordenado pela equipe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, é custeado com recurso de emenda parlamentar, de autoria do deputado federal, Padre João, descentralizado, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), via Ministério da Agricultura e Pecuária.

Com duração até junho de 2026, o trabalho busca incentivar a cultura de produção de água e conservação do solo através da colheita de chuva por Barraginhas em comunidades onde estão localizadas as Escolas Famílias Agrícolas de Minas Gerais.

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