Agroecologia: resiliência aos sistemas agroalimentares

Mais de mil pessoas, entre produtores e crianças, participaram do evento dedicado aos estudos em agricultura de base ecológica e familiar, com o tema “Reconstruindo com agroecologia”, em Pelotas (RS)

O evento Agroecologia 2024 recebeu mais de mil participantes nas dependências da Estação Experimental Cascata (EEC), em dezembro, espaço dedicado aos estudos em agricultura de base ecológica e familiar que integra a Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS). Durante três dias e com o tema “Reconstruindo com agroecologia”, a iniciativa abrigou seis atividades simultâneas: o 19° Dia de Campo da Agroecologia, a 3ª Feira da Agroecologia, a 2ª Ciranda Agroecológica, uma exposição de máquinas para a agricultura familiar, uma feira de mostra e troca de sementes crioulas e um espaço cultural e artístico.

Além de promover o conhecimento agroecológico, o objetivo foi reforçar o papel da agroecologia para a resiliência dos sistemas agroalimentares. “A agroecologia vai além do sistema de produção e do manejo correto dos cultivos. Pretende ser uma estratégia de conexão entre as pessoas e com os seus territórios, com o modo de vida, com o saber fazer, com a cultura e com a organização social para melhorar o bem viver”, explica o pesquisador e coordenador da iniciativa, João Carlos Costa Gomes. A realização foi da Embrapa Clima Temperado, Emater/RS-Ascar, Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia(Capa) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O evento Agroecologia é resultado da expansão do Dia de Campo em Agroecologia, que, em 2024, chegou a sua 19ª edição. Com uma abordagem voltada a aspectos produtivos, o Dia de Campo apresentou, nesse ano, soluções agroecológicas desenvolvidas pela Embrapa e parceiros voltadas à recomposição e à resiliência dos sistemas de produção agroalimentares frente às mudanças climáticas. Ao todo, foram quatro estações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar: Agrossociobiodiversidade; Serviços ambientais; Sistemas biodiversos; e Insumos para a agroecologia.

Atividades educativas mobilizam cerca de 500 crianças

A 2ª edição da Ciranda Agroecológica – voltada a alunos de escolas do ensino fundamental de Pelotas e região para formação no tema – representou um dos pontos altos da programação. No primeiro dia, em cinco estações lúdicas, foram apresentadas informações sobre temáticas com foco na agroecologia: produção de alimentos, especialmente frutas e hortaliças, em estímulo a uma alimentação diversificada; conservação da água, com explicação de como o recurso chega às residências; conservação de florestas e a interdependência dos ecossistemas; desenvolvimento das plantas, por meio de representações teatrais do ciclo das sementes; e importância dos insetos, buscando desmistificar a ideia de que essas espécies representam pragas prejudiciais.

Já no segundo dia, a programação teve como foco a mensagem da conservação. Além da estação “Planeta dos Insetos”, abrigou quatro novos espaços. No primeiro, foram destacados os benefícios para a saúde das atividades físicas; a exposição itinerante “Jardineiros do Butiazal” abordou a importância da conservação dessa espécie e dos animais que ajudam a disseminar essas palmeiras; na terceira estação, a temática principal foi a conservação do solo e da água; e no último espaço, monitores realizaram um trabalho com plantas medicinais e hortaliças nativas, explicando suas utilidades e importâncias. Ao fim do dia, alunos de escolas urbanas, principalmente, realizaram o plantio de mudas de couve e a colheita de pés de alface. 

3ª Feira Agroecológica

A feira de produtos agroecológicos e da agricultura familiar buscou mostrar o potencial do setor, permitindo a interlocução entre os agricultores a partir da troca de experiências. Produtos variados foram consumidos e comercializados em cerca de 40 bancas, incluindo vegetais frescos, diversidade de sementes e artesanato indígena.

Troca-troca de sementes crioulas

Pela primeira vez, agricultores guardiões de sementes crioulas expuseram e realizaram troca-troca de sementes durante o evento. Embora a exposição tenha ocorrido ao longo de todo o dia, a dinâmica de troca durou cerca de 20 minutos, envolvendo agricultores de várias localidades do estado. Foram expostas e trocadas sementes de espécies como feijão, arroz, tomate, fava, milho, hibisco, pimenta, pipoca, urucum, maxixe, ervilha, melancia, amendoim e bucha vegetal.

Mostra de máquinas para agricultura familiar

Outra novidade foi a Mostra de Máquinas Agrícolas, que reuniu equipamentos que podem auxiliar o dia a dia do agricultor familiar, bem como demonstrar a capacidade inventiva deste público. A ideia buscou apresentar e dar visibilidade a maquinários de empresas ou inventados, adaptados ou incrementados pelos próprios agricultores.

2ª Mostra Cultural

Ao longo do dia, entre as manifestações culturais, houve apresentações musicais de enaltecimento à cultura latina. Pontualmente, em momentos específicos da programação, ocorreram apresentações de danças de matriz africana por alunos de uma escola de Canguçu (RS) e de danças com rituais indígenas por alunos de uma escola da etnia Kaingang.

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