PIB da agropecuária cresce 2,0% no primeiro trimestre de 2026

Com alta de 2% no primeiro trimestre, agropecuária lidera expansão econômica do país e amplia sua participação no PIB nacional

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 2,0% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o quarto trimestre de 2025, registrando o melhor desempenho entre os grandes setores da economia. O resultado refletiu as contribuições positivas tanto da produção animal quanto da produção vegetal, que avançou sob demanda dos consumidores brasileiros e pelas condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras, respectivamente.

O desempenho do setor agropecuário exerceu influência determinante sobre o crescimento do PIB brasileiro, que avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, alcançando R$ 3,3 trilhões. Com esse resultado, a participação da agropecuária atingiu 7,5% do PIB total. Os demais setores da economia registraram crescimento menor no período, com altas de 1,0% na Indústria e de 0,5% nos Serviços.

Pela ótica da demanda, o crescimento no primeiro trimestre de 2026 foi impulsionado pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e pelo consumo das famílias, que registraram altas de 3,5% e 1,0%, respectivamente, na comparação com o quarto trimestre de 2025. O consumo do governo, por sua vez, registrou alta de 0,4%.

As Tabelas 1 e 2 apresentam os resultados trimestrais das variações do PIB do Brasil e da Agropecuária desde 2025. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o PIB nacional registrou alta de 1,1%, após três trimestres consecutivos com variação próxima a estabilidade. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento foi de 1,8%, repetindo o resultado observado nos dois trimestres anteriores e situando-se 1,3 ponto percentual (p.p.) abaixo da variação registrada no primeiro trimestre de 2025.

Considerando os resultados da Agropecuária, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o PIB do setor avançou 2,0%. Já na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 0,7%, resultado que deve ser analisado à luz de uma base de comparação elevada, refletindo a safra recorde e o forte crescimento registrados no ano anterior.

O setor agropecuário tradicionalmente registra crescimento no primeiro semestre do ano em razão da colheita das culturas de verão, com especial destaque para a soja, um dos dois principais carros-chefes da produção agrícola nacional. Ao longo do primeiro trimestre de 2026, a safra brasileira avançou em condições gerais favoráveis, mesmo diante de um cenário de incertezas geopolíticas, sustentada pela demanda por alimentos, fibras e energia.

Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, com dados até abril de 2026, verificou-se aumento na produção de boa parte das lavouras no primeiro trimestre do ano. O avanço médio previsto para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 é de 0,7%. Considerando o peso produtivo das culturas, destacam-se os avanços da soja (4,8%), do milho primeira safra (15,2%) e da cana-de-açúcar (0,6%). Em contrapartida, para outras culturas, retrações, com destaque para o milho segunda safra (-6,4%), o arroz (-10,6%), o algodão herbáceo (-8,9%), o trigo (-6,8%), o feijão (-4,6%) e a batata-inglesa (-8,1%).

No segmento pecuário, também houve avanço relevante da produção no período, na comparação com o primeiro trimestre de 2025. De acordo com os dados preliminares do primeiro trimestre de 2026, divulgados pelo IBGE, o abate de bovinos cresceu 3,3%, o de suínos registrou alta de 5,5% e o de frangos aumentou 3,7%. Os dados reforçam a trajetória de expansão anual da produção de proteína animal no Brasil, além de sinalizarem a consolidação da virada do ciclo pecuário bovino e o dinamismo das exportações, especialmente da carne bovina, ainda que o mercado externo permaneça cercado de incertezas decorrentes do atual contexto geopolítico.

Quanto aos setores e subsetores da economia, considerando a variação percentual do primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025 (Gráfico 2), a maior variação positiva foi observada na indústria extrativa (3,6%), impulsionada pela atividade de extração de petróleo e gás natural. Na sequência, destacam-se a Construção (2,9%), Informação e comunicação (2,4%) e a Agropecuária (2,0%). Por outro lado, os setores que registraram retração na mesma base de comparação foram Transporte, Armazenagem e Correio (-0,7%), seguido das Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,6%) e de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,3%).

Considerações finais

Ainda segundo o IBGE, o PIB brasileiro avançou 1,1% frente ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 3,3 trilhões no período. O resultado veio em linha com as expectativas de mercado, que previam alta de 1,0% (Bloomberg) e 1,1% (Agência Estado).

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias – componente de maior peso no PIB – foi um dos principais responsáveis pelo crescimento da economia nacional no período (1,0%), impulsionado por estímulos governamentais, com destaque para a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física e para mais uma liberação excepcional do saldo do FGTS. Ressalte-se que estimativas do Banco Santander e da XP Investimentos indicam que os impulsos de crédito do governo federal devem injetar cerca de R$ 190 bilhões na economia, com potencial impacto entre 1,4 e 1,5 p.p. no PIB de 2026. A Formação Bruta de Capital Fixo também registrou expansão (3,5%), recuperando a retração de 3,4% observada no trimestre anterior. Importante destacar que esse crescimento foi fortemente influenciado pela aquisição da plataforma de produção de petróleo e gás (P-79) pela Petrobras, em fevereiro.

Pelo lado da oferta, o principal destaque foi novamente a agropecuária, que registrou crescimento de 2,0% em relação ao quarto trimestre de 2025, configurando o melhor desempenho entre os grandes setores da economia. Embora inferior ao crescimento observado no mesmo período de 2025, quando o setor avançou 15,8%, o resultado de 2026 deve ser analisado à luz de uma base de comparação extremamente elevada, decorrente da safra recorde e do forte crescimento registrado no ano passado. Nesse contexto, o desempenho do primeiro trimestre evidencia a continuidade da capacidade de expansão do setor, mesmo em um ambiente econômico e geopolítico significativamente mais adverso.

O comportamento da atividade agropecuária no primeiro trimestre de 2026 refletiu, sobretudo, o avanço da colheita das culturas de verão, especialmente da soja. Também merece destaque o avanço da produção pecuária, com crescimento dos abates de bovinos, suínos e frangos no período, reforçando o dinamismo da produção de proteína animal. No entanto, é importante destacar que outras culturas relevantes para o período registraram queda nas estimativas anuais de produção, com destaque para o milho segunda safra (-6,4%) e o arroz (-10,6%).

O crescimento da produção agropecuária ocorre em um contexto de elevada incerteza internacional e doméstica. A persistência das tensões geopolíticas, os riscos associados à logística global e ao fornecimento de energia e fertilizantes, além da volatilidade dos mercados internacionais, seguem pressionando os custos de produção. No plano doméstico, o setor continua operando sob condições financeiras bastante restritivas, marcadas por juros elevados, aumento do endividamento rural e deterioração da capacidade de pagamento dos produtores.

Em termos de perspectivas para os próximos trimestres, as incertezas climáticas adicionam preocupações relevantes, sobretudo no segundo semestre. As previsões indicam aumento da probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, com potencial de impactos significativos sobre a produtividade agropecuária em diferentes regiões do país. Soma-se a isso os desafios relacionados ao mercado internacional de proteína animal. Entre eles, destacam-se as medidas de salvaguarda adotadas pela China, que impõem tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que excederem os níveis de cota dos principais países fornecedores, incluindo o Brasil; bem como a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco a partir de setembro de 2026, em razão das regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.

No campo macroeconômico, persistem fatores de atenção para os próximos trimestres. A manutenção da taxa Selic em patamar elevado, em 14,50% ao ano, após a intensificação dos conflitos geopolíticos, tende a manter condições financeiras restritivas, com impactos sobre o crédito, o investimento e o consumo. Além disso, as expectativas para a inflação permanecem acima do teto da meta, limitando o espaço para flexibilização da política monetária no curto prazo.

Esse ambiente extremamente desafiador reforça a importância das políticas agrícolas e de instrumentos robustos de gestão de risco a fim de garantir condições adequadas para que a agropecuária continue exercendo papel estratégico e decisivo para o abastecimento interno, a geração de emprego e renda, o equilíbrio das contas externas e a estabilidade macroeconômica do país.

Texto: CNA

Foto: Pexels

Conteúdo exclusivo de empresas participantes do Anuário Brasileiro do Agronegócio e Agricultura Familiar – LEIA O ANUÁRIO GRATUITAMENTE

Wordpress Social Share Plugin powered by Ultimatelysocial