Tecnologia desenvolvida pela Embrapa amplia as alternativas de cultivo florestal em áreas sujeitas a geadas no Sul do país
Produtores, viveiristas, técnicos e representantes do setor florestal participaram, em 28/05, de um dia de campo para conhecer a cultivar de BRSGTR 0701 Versátil de Eucalyptus benthamii . O evento, realizado em Candói/PR, apresentou o desempenho da cultivar em regiões sujeitas ao Sul do Brasil, bem como as possibilidades de uso comercial, especialmente para geração de energia. A Versátil foi desenvolvida em parceria entre a Embrapa Florestas e a Golden Tree Reflorestadora. No período da manhã, os participantes assistiram palestras sobre as pesquisas realizadas para o desenvolvimento da cultivar, seu potencial e possibilidades futuras. O período da tarde foi reservado para visita de campo na área de produção de sementes.
O material é resultado de um programa de melhoramento genético prolongado durante 19 anos em condições representativas de campo, envolvendo seleção fenotípica, genética e genômica. Segundo o pesquisador Paulo Eduardo Telles dos Santos, da Embrapa Florestas, “entre as principais características estão a elevada sobrevivência em áreas com ocorrência de atrasos, com manutenção do crescimento mesmo em baixas temperaturas; crescimento rápido, boa forma de fuste, qualidade da madeira para fins energéticos e produtividade escalável, com potencial de aumento da produção de madeira por hectare”.
Sua principal aplicação é a produção de biomassa para fins energéticos, como lenha, carvão, bio-óleo, cavacos e vapor, além do uso da madeira em construções rurais. “A recomendação técnica para esta cultivar é de locais com altitude acima de 700m, solos bem drenados e o plantio deve ser realizado entre setembro e março”, orienta Paulo Eduardo.
A pesquisa realizada compreendeu diversas etapas, como avaliações dendrométricas, análises de DNA, amostragens de madeira, estudos tecnológicos e levantamentos multiespectrais com uso de drones. Segundo o pesquisador Estefano Paludzyszyn Filho, recém-aposentado da Embrapa e que participou do desenvolvimento da cultivar, “um dos desafios que encontramos foi a propagação clonal, que ainda não é viável, mas é uma cultivar seminal que traz segurança genética e produtividade sustentável”.
O desenvolvimento foi realizado em parceria com a Golden Tree Reflorestadora, que já trabalhou com Eucalyptus benthamii e parcerias a possibilidade de melhoramento da espécie. A partir disso, foram realizadas parcerias com a Cooperativa Agrária e o Grupo Illich, que cederam espaço e apoio a todos os testes necessários. Segundo Luis Vatrin, sócio proprietário da Golden Tree, “essa parceria entre ciência e prática foi extremamente importante para viabilizarmos esta cultivar que atende a uma crescente demanda de madeira para geração de energia. Como as espécies de eucalipto utilizadas no Brasil não toleram climas muito frios, o Sul do país acabou sendo prejudicado”.
O trabalho de melhoramento genético vai continuar, incluindo novas perspectivas. A pesquisadora Ananda Aguiar mostrou as presentes as possibilidades de novos desenvolvimentos e tecnologias a partir do melhoramento do benthamii , bem como validações em outras regiões e utilização de seleção genômica ampla. “Temos muitas possibilidades de melhoramento genético, avaliando interações de genótipos em diferentes ambientes, utilização de ferramentas genômicas, entre outros”, explicou a pesquisadora
História e parceriaO evento relembrou o histórico da pesquisa e destacou o envolvimento dos pesquisadores da Embrapa Florestas, Carlos Alberto Ferreira, hoje aposentado, e Helton Damin da Silva, in memorian , que, em 1988, coordenaram o trabalho de introdução do benthamii (natural da Austrália) no país. Ferreira, presente no evento, celebrou o resultado de 20 anos de pesquisa: “A pesquisa florestal tem um tempo maior para maturação e entrega e é muito gratificante vermos o resultado de anos de pesquisa ser colocado à disposição do setor produtivo”. Paul Illich, produtor rural e cooperado da Cooperativa Agrária, também participou do começo da pesquisa e ressaltou a importância das parcerias. “Colocamos áreas e à disposição porque entendemos que as parcerias são importantes. Sem o trabalho da Embrapa aqui na região, não teríamos nenhuma alternativa de produção florestal”, apontou. A Cooperativa Agrária utiliza planejamentos florestais como matéria prima para geração de energia e tem participado de forma determinante nas avaliações complementares, por meio de diversos ensaios de validação no campo da Versátil e nos experimentos instalados a partir de materiais gerados por cruzamentos específicos entre matrizes da área de produção de sementes da cultivar. |
Texto: Katia Pichelli – Embrapa Florestas
Foto: João Carraro


