Vale-feira conta muito para quem vende e compra. A seleção das famílias beneficiárias é feita pelo grupo gestor formado por representantes da Emater/RS-Ascar e das secretarias municipais de Assistência Social e de Agricultura
Desde a implantação do primeiro vale-feira, no município de Vale Verde, outros nove municípios da região administrativa da Emater/RS-Ascar, de Soledade, implantaram essa política pública que valoriza os agricultores, estimula o consumo de produtos da agricultura familiar e as cadeias curtas de comercialização. Enquanto nos demais municípios os vales são direcionados aos funcionários públicos, em São José do Herval, no Alto da Serra do Botucaraí, o vale-feira beneficia famílias em vulnerabilidade social, sendo priorizadas as famílias com crianças, idosos ou pessoas com problemas de saúde.
Segundo a extensionista rural social da Emater/RS-Ascar, Laurita Zanotelli Scalco, o vale-feira surgiu, em outubro de 2019, mediante a necessidade que os gestores públicos sentiram de proporcionar às famílias de baixa renda o poder de compra, melhorando assim a sua alimentação. “E também dos feirantes que aumentaram seu poder de venda, pois em outras épocas as feiras não se sustentavam em função da baixa procura pelos produtos”, explica ela.
Mensalmente são distribuídos 110 vales-feira, um para cada família beneficiada, no valor de R$ 30,00, fazendo com que circule pela feira, a cada mês, R$3.300,00. A seleção das famílias beneficiárias é feita pelo grupo gestor formado por representantes da Emater/RS-Ascar e das secretarias municipais de Assistência Social e de Agricultura. “O papel da Emater é de fundamental importância, uma vez que trabalhamos, diretamente, tanto no apoio aos feirantes para que tenham garantia de quantidade e qualidade de produtos, como o contato direto e na definição na escolha de quem será contemplado com este vale”, comenta Laurita.
O grupo gestor se reúne anualmente para avaliar os beneficiários, se há necessidade de alterar alguma família em caso de mudança de cidade, aposentadoria dos integrantes, ou recebimento de outros auxílios. Desta forma, outras famílias podem acessar a política pública, que tem feito a diferença no município.
“Com essa iniciativa melhorou muito o orçamento familiar, pois cada final de mês os feirantes reúnem a quantidade vendida, tiram a nota no Talão de Produtor e passam para receber no setor da tesouraria da prefeitura”, comenta a extensionista rural social da Emater/RS-Ascar, Laurita Zanotelli Scalco. Para um maior controle, a cada mês os vales-feira possuem uma cor diferente.
A agricultora, Marlene do Amaral Ribeiro, assistida da Emater/RS-Ascar, é proprietária da Agroindústria Sabores João e Maria, que produz pães, cucas, massas e bolachas e participa há quatro anos da feira. “Antes eu tinha mais dificuldade de vender. A feira me incentivou a legalizar o meu negócio e agora com o vale, as vendas são maiores e garantidas. É muito bom participar desta feira”, afirma Marlene.

Além dos panificados, na feira, são comercializados produtos in natura como alface, radiche, beterraba, repolho, couve-flor, brócolis, agrião, rúcula, temperos, cenoura, aipim, cebola, batata-doce, moranga cabotiá, moranga italiana, abóbora, entre outros.
Em maio de 2025, a Feira do Produtor, que antes era realizada em local improvisado, ganhou uma sede fixa na rua Mathias Feil, s/n. O espaço proporciona mais conforto aos feirantes e consumidores e, além disso, também permitiu a ampliação dos dias de realização da feira, que deixou de ser semanal (às quintas-feiras) e passou a acontecer às segundas e quintas-feiras, das 8h às 11h, para a comercialização de produtos in natura, e nas quartas-feiras, das 13h às 17h, com a participação de agroindústrias familiares e artesãos do município.
“Além de ser um local com melhor estrutura para receber tanto feirantes quanto consumidores, protegido das intempéries climáticas, a nova estrutura possibilitou a ampliação dos agricultores que comercializam e incluiu os artesãos do município. É uma política pública municipal que tem se mostrado eficiente, inclusiva, que motiva os participantes, sejam agricultores, beneficiários ou público em geral, e que proporciona melhor qualidade de vida para as famílias e o desenvolvimento do próprio município com a circulação de recursos nas cadeias curtas de comercialização”, enfatiza a extensionista rural social da Emater/RS-Ascar, Laurita Zanotelli Scalco.
A família da Maria Rosane dos Santos, residente na sede do município, é uma das beneficiárias. “Esses vales são uma grande ajuda para nós. E estes agricultores têm um bom produto para nos oferecer. Isto nos traz um alimento de qualidade e é muito importante porque ajuda nas despesas da família. Nos dias de hoje está tudo muito difícil e caro, então qualquer ajuda é sempre bem-vinda”, comenta Maria.


