Conforme Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), resultado foi o melhor nos últimos dez anos de levantamento
Segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura de 2025, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção brasileira de peixes de cultivo chegou a 968.745 toneladas, em 2024, o que representa crescimento de 9,21% em relação ao ano anterior (887.029 toneladas), o que demonstra a robustez, força, da piscicultura nacional, mesmo em momentos de instabilidade.
O presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, entidade que realiza anualmente o levantamento da produção de peixes de cultivo no país, explica que foi um ano marcado pela oscilação de preços da tilápia ao produtor, espécie mais relevante. “A atividade superou adversidades e não apenas manteve o ritmo de crescimento como acelerou o avanço, aproximando-se de 1 milhão de toneladas”, observa.
Tilápias e peixes nativos
Conforme a entidade, mesmo com a cotação instável, na maior parte do ano, especialmente no segundo semestre, a tilápia puxou o salto da piscicultura em 2024 chegando a 662.230 toneladas, o que significa aumento expressivo de 14,36% em comparação com 2023 (579,080 toneladas). Os peixes nativos tiveram mais um ano de queda de produção, e com a oferta reduzida houve recuperação de preços pagos ao produtor.
Saldo positivo
Devido à menor produção, na região amazônica, os peixes nativos, espécies vitais para a piscicultura brasileira, fecharam 2024 com 258.705 toneladas, representando queda de 1,81% em relação a 2023 (263.479 toneladas). As outras espécies mostraram evolução em 2024, com 47.810 toneladas, aumento de 7,5% em relação ao ano anterior (44.470 toneladas). Para a Peixe BR, considerando a oscilação dos preços da tilápia e a redução da produção de nativos, 2024 fechou com saldo positivo.
Estados
De acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura de 2025, diversos estados intensificaram o cultivo e/ou criaram condições para aumentar a oferta local, e, também, houve aumento do consumo de peixes de cultivo. “Definitivamente, o brasileiro aprendeu a apreciar nossos peixes. Assim como no norte do país, os peixes nativos já fazem parte da alimentação das pessoas, a tilápia assumiu relevância indiscutível no centro-sul, tornando-se presença semanal no prato. Essa consistência da demanda é um ingrediente essencial para o contínuo aumento da produção desta que é a proteína animal que mais cresceu na última década”, ressalta o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.
“O crescimento da produção de peixes de cultivo em 2024 foi o maior nos dez anos de levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura. A entidade iniciou a pesquisa em 2015, quando o país produzia 638.000 toneladas. No período, o avanço foi de 51,8%. A partir da coleta de dados de diversas fontes (governos estaduais, entidades de classe, empresas de genética, nutrição, saúde, equipamentos e serviços e institutos de pesquisas), a Peixe BR constituiu um completo e detalhado banco de dados, cujas informações são essenciais para a elaboração deste anuário”.

Tilápia: maior crescimento da história
O Brasil produziu 662.230 toneladas de tilápia, em 2024. Isso representa 68,36% da produção total de peixes de cultivo no país, e 14,36% maior do que o ano anterior (579.080 toneladas).
O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, explica que a produção de peixes tem ciclo longo que inicia com o alojamento de alevinos. “Ainda em 2023, os produtores aproveitaram um momento favorável e aumentaram consideravelmente a oferta. Isso significou produção recorde em 2024. Pelo lado positivo, os números foram excelentes, comprovando que a tilápia se tornou uma proteína animal apreciada pelo consumidor brasileiro. Pelo lado negativo, os preços ao produtor oscilaram durante boa parte do ano. Como nos mostram os resultados de outras importantes cadeias produtivas, como frangos e suínos”, observa ele.
O presidente da Peixe BR ressalta que o equilíbrio é fundamental para o crescimento do setor a longo prazo. “Assim, é preciso que todos os elos atuem em conjunto para proporcionar resultado econômico positivo para todos, dos fornecedores de genética à indústria”, enfatiza Francisco Medeiros.
Levantamento detalhado de dados pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), responsável pela elaboração do Anuário Peixe BR 2025, mostra crescimento da produção de tilápia, em praticamente todo o país, com exceção da região norte, onde os peixes nativos estão fortemente presentes.
“Esse cenário se deve às condições de cultivo da tilápia, ao empenho dos produtores, ao retorno econômico da espécie e, na ponta, ao contínuo aumento do consumo em todas as localidades. A constatação está expressa no salto de quase 15% da produção de tilápia, em 2024. Além disso, a espécie representa perto de 68,36% da piscicultura brasileira. O percentual cresce ano após ano. Em 2023, representava 65,3%. Importante destacar que em uma década, período em que a Peixe BR realiza o levantamento anual, a produção de tilápia cresceu mais de duas vezes. Em 2025, eram 285 mil toneladas”, destaca o Anuário.

Região Norte tem recuo no cultivo
Conforme o Anuário Brasileiro da Piscicultura, a produção de peixes nativos recuou 1,81%, fechando 2024 com 258.705 toneladas, na região Norte do país. “Esse resultado mostra uma tendência preocupante de queda, suave, mas constante, da produção nos últimos anos. Com isso, os peixes nativos passam a representar 26,71% da produção total de peixes de cultivo no país. O ano de 2024 não foi negativo para os produtores de nativos, porque houve demanda boa e os preços também, porém, a preocupação está no recuo da oferta na região Norte.
O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros destaca que este cenário tem sido recorrente nos últimos anos. E se por um lado é positivo, com reflexo nas cotações, por outro é ruim em função da produção. E a situação se torna ainda mais complexa numa conjuntura de crescimento do consumo de peixes de cultivo, em detrimento dos peixes de captura.
Ele ressalta que o consumo per capita, no Brasil, é inferior à média mundial, mas há todas as condições para aumento da demanda. “É preciso união de todos os envolvidos, incluindo os órgãos públicos responsáveis, para que os nativos retomem o ritmo de crescimento da oferta, pois o produto é de excelente qualidade e há mercado para conquistar”, analisa Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR.
Os levantamentos do Anuário mostram que a produção de peixes nativos está concentrada na região Norte do país que, ano após ano, vem reduzindo em, praticamente, todos os estados, mostrando que é preciso ter uma ação combinada entre Poder Público e iniciativa privada, como propõe o presidente da Peixe BR.
Além dos peixes nativos serem essenciais para consumo da população da região Norte, eles têm um grande potencial de exportação para outros países. “Num momento em que as pessoas buscam alimentação saudável, os peixes nativos têm uma oportunidade real de crescimento”, afirma Francisco Medeiros.
Produção avança
O Anuário Brasileiro da Piscicultura mostra que a produção de outras espécies teve um bom crescimento em 2024, puxado pelo pangasius, e avançou 7,5% no ano chegando a uma produção de 47.810 toneladas. Assim, com este resultado, pangasius, carpas e trutas, especialmente, representam, juntos, 4,93% da produção brasileira de peixes de cultivo. Este percentual vem se mantendo estável, nos últimos anos, o que é positivo, uma vez que a tilápia vem conquistando espaço.
“O ideal é que todas as espécies avancem, ano após ano. No caso deste segmento, em especial, a chegada recente do pangasius deu novo vigor, tendo em vista que carpas e trutas têm oferta mais ou menos estável”, explica Francisco Medeiros. Neste cenário, merece destaque o crescimento da produção de pangasius no Nordeste. Já o líder entre as outras espécies, Rio Grande do Sul, teve queda de 11,76% na oferta.




Paraná se destaca na produção do país
Segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura, um em cada quatro peixes de cultivo é produzido no Paraná. Os números mostram o sucesso do modelo de cultivo de peixes neste estado, com destaque para a união dos produtores em torno de cooperativas, além de núcleos de piscicultores independentes.
De acordo com dados do Anuário, em 2024, o Estado do Paraná produziu 17,35% a mais, chegando a 250.315 toneladas, sendo maior que 2023 com 213.300 toneladas. “Esses números excepcionais somente foram superados, em percentual de crescimento, pelo Mato Grosso do Sul (+18,77%) e Minas Gerais (+18,18%) no ranking dos 10 maiores produtores de peixes de cultivo do país”.
Conforme o ranking do Anuário, o maior estado produtor de peixes nativos (Rondônia) caiu da 4ª para a 5ª posição, entre os líderes em peixes de cultivo. Santa Catarina assumiu a 4ª posição. O sétimo maior produtor, Mato Grosso, foi o único estado, entre os 10 maiores, a não crescer (-0,08%). Rondônia também se mostrou estável (+0,07%). Entre os 10 melhores, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, cresceram acima da média nacional (9,21%), em um ano de crescimento da produção na maioria dos estados brasileiros.

Região Sul lidera produção
O Anuário Brasileiro da Piscicultura mostra que a região Sul foi, mais uma vez, destaque na produção de peixes de cultivo. “Em 2024, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul produziram, em conjunto, 333.815 toneladas. Esse resultado foi 12,7% superior ao do ano anterior (296.200 toneladas)”.
Em termos percentuais, conforme o levantamento do Anuário, o Sudeste liderou em produção, em 2024, com salto de 14,12%, chegando a 189.380 toneladas, ante 165.950 toneladas do ano anterior. Com este desempenho, o Sudeste superou o Nordeste, como a segunda região mais produtiva. “Mesmo assim, o Nordeste teve bom desempenho +7,93%”.
A região Norte teve o pior desempenho em 2024, com a produção de 143.190 toneladas, praticamente a mesma de 2023, 143.096 toneladas.
Outro destaque positivo foi a região Centro-Oeste em que a produção cresceu 6,34%, em 2024, alcançando 117.880 toneladas.
Por fim, o Anuário Brasileiro da Piscicultura destaca que todas as regiões produtoras de tilápia cresceram em 2024.

