Pequenos, médios e grandes produtores de alimentos, fibras e energia compõem as estruturas da agropecuária nacional, que contribuem para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do país
A 11ª edição do Anuário Brasileiro do Agronegócio e da Agricultura Familiar se renova e passa a incorporar, também, outro motor da economia brasileira, o Agronegócio, que junto com a Agricultura Familiar formam as engrenagens da agropecuária nacional, isto é, formam o agro nacional e reúnem pequenos, médios e grandes produtores de alimentos, fibras e energia, que juntos estão entre os mais produtivos e modernos do mundo.
Como sistema produtivo, a agricultura familiar e o agronegócio, trilham o mesmo caminho e, juntos, melhoram, ano após ano, o desempenho da economia brasileira, ampliam a qualidade de vida e o bem-estar da população, transformando a realidade rural e urbana do país. Esta união de esforços fez o país sair da condição de importador para provedor mundial de alimentos, um dos principais players do agronegócio mundial, segundo a Embrapa em artigo “Trajetória da agricultura brasileira”.
Hoje se produz mais em menor quantidade de terra o que contribui, significativamente, para a preservação dos recursos naturais. No entanto, segundo a Embrapa, ainda, há muitos desafios como, por exemplo, grande concentração de riqueza em pequena parcela de propriedades rurais; há milhões de hectares de solos e pastagens degradados, grande ineficiência no uso de água na irrigação, utilização inadequada de agroquímicos que oferece riscos à saúde e ao meio ambiente.
O salto na agricultura brasileira é resultado de uma combinação de fatores, conforme informações do artigo “Trajetória da agricultura brasileira”. “O cenário para isto é um país com abundância de recursos naturais, com extensas áreas agricultáveis e disponibilidade de água, calor e luz, elementos fundamentais para a vida. Mas o que fez a diferença nestes últimos 50 anos foram os investimentos em pesquisa agrícola – que trouxe avanços nas ciências, tecnologias adequadas e inovações -, a assertividade de políticas públicas e a competência dos agricultores”.
Agricultura Familiar
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, os produtores familiares garantem o abastecimento de produtos essenciais como arroz, feijão, frutas e hortaliças, promovendo segurança alimentar para milhões de brasileiros. A diversidade de cultivos e a proximidade com o consumidor final permitem que esses alimentos cheguem de forma mais rápida e acessível à população, fortalecendo as economias locais.
A agricultura familiar gera mais de 10,1 milhões de postos de trabalho e ocupa um papel central no desenvolvimento econômico de 90% dos municípios brasileiros, com até 20 mil habitantes, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG).
A agricultura familiar promove práticas diversificadas e sustentáveis, é a principal fonte de geração de emprego no campo e representa 67% das ocupações rurais, isto é, aproximadamente, 77% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil são familiares. Com 23% do valor bruto da produção agropecuária do país, o setor tem grande relevância tanto para o mercado interno quanto para a exportação de produtos como soja, milho, açaí e castanha.
Um exemplo disso é a soja, levantamento da Embrapa, com base em dados do último Censo Agropecuário (2017), mostra que mais de 73% dos estabelecimentos agropecuários produtores de soja no Brasil têm menos de 50 hectares, isto é, são pequenas propriedades rurais. Conforme a Embrapa, dos 236 mil estabelecimentos agropecuários produtores de soja no Brasil, 83% (196 mil estabelecimentos) encontram-se na região Sul do Brasil.
No Rio Grande do Sul, 81% dessas propriedades possuem menos de 50 hectares (77 mil propriedades). No Paraná, 79% dos estabelecimentos produtores de soja são pequenas propriedades (cerca de 65 mil propriedades) e em Santa Catarina 87% dos estabelecimentos têm menos de 50 hectares (cerca de 15 mil propriedades). As regiões Centro-Oeste e Sudeste participam com aproximadamente 4% do total de pequenas propriedades produtoras de soja ou cerca de 6 mil estabelecimentos cada uma e as regiões Norte e Nordeste, com menos de 1% cada.
A Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), destaca que a agricultura familiar é pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável, para garantir segurança alimentar e nutricional, promover inclusão social e econômica de milhares de famílias. Além disso, atua diretamente na preservação da biodiversidade e valorização dos saberes tradicionais. A agricultura familiar significa produção de alimentos saudáveis e acessíveis com fortalecimento da economia local.
O segundo Anuário Estatístico da Agricultura Familiar (2023) produzido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), mostra a importância da agricultura familiar e o quanto este setor pode contribuir, ainda mais, com o desenvolvimento do país, se o setor tiver o devido apoio governamental e o entendimento de toda a sociedade acerca da sua valorização e reconhecimento.
Conforme o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar, a agricultura familiar brasileira é a principal responsável pelo abastecimento do mercado interno com alimentos saudáveis e sustentáveis, que busca a preservação dos recursos ambientais, a cultura rural, gera ocupações rurais e promove o desenvolvimento sustentável do Brasil.
O Anuário ressalta que a agricultura familiar ocupa 23% das áreas e 3,9 milhões de estabelecimentos, e é responsável por 23% do valor bruto da produção agropecuária e por 67% das ocupações no campo. “O total da sua produção a coloca como a oitava maior produtora de alimentos do mundo. Além da produção de alimentos, contribui com a dinamização econômica do País, pois responde por 40% da renda da população economicamente ativa e a dinamização econômica de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes, que representam 68% do total”, afirma o Anuário.
O documento enfatiza que a FAO declarou a Década da Agricultura Familiar (2019-2028), por meio da Resolução 72/239 de 2017, considerando seu papel também na preservação cultural e ambiental e as suas diferentes formas de viver e produzir.
Os empreendimentos familiares produzem diversidade de culturas, de acordo com o Anuário, o que gera um impacto positivo na qualidade dos produtos e na relação com o meio ambiente. “São fundamentais para influenciar as políticas de combate à inflação dos alimentos, promover a soberania e segurança alimentar e nutricional, gerar trabalho e distribuir renda”.
A agricultura familiar é formada por pessoas de todas as raças e idades, atividades, pescadores artesanais, quilombolas, indígenas, silvicultores, aquicultores, e extrativistas, tem diversas identidades, modos de vida e produção.
“Com sua multifuncionalidade e multidimensionalidade, está presente em todas as regiões do Brasil. Em se tratando apenas dos estabelecimentos da agricultura familiar por grande região, temos o Nordeste com 46,6% dos estabelecimentos, seguido do Sudeste (16,5%), do Sul (16,0%), do Norte (15,4%) e Centro-Oeste (5,5%)”.
Revolução no campo
Nos últimos 50 anos, o Brasil se transformou em um dos principais produtores e fornecedores de alimentos, fibras e energia do mundo, segundo o estudo “Panorama do Agro” elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Essa evolução é fruto de sucessivos ganhos de produtividade decorrente de investimentos em ciência e tecnologia, políticas públicas setoriais e de muita dedicação dos produtores rurais, grandes protagonistas dessa trajetória, em suas atividades dentro da porteira”.
“O efeito transformador da revolução agrícola das últimas cinco décadas é certamente o fato mais importante da história econômica recente do Brasil e continua abrindo perspectivas para o futuro do país. Como resultado desse desenvolvimento, temos atualmente uma agricultura adaptada às regiões tropicais, intensiva em tecnologia e constituída por uma multidão de produtores rurais que pautam sua produção na preservação dos recursos naturais, garantindo a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos. Essas pessoas compõem o setor produtivo mais moderno e sustentável do mundo que vem transformando de forma consistente a economia brasileira”, diz o Panorama.
Segundo o documento, o agronegócio nacional está produzindo excedentes, cada vez maiores, e expandindo suas vendas para o mundo, conquistando novos mercados, e gerando superávits cambiais que fortalecem a economia brasileira.
Como importante resultado, a geração de excedente produtivo aliado ao aumento da produtividade, reduziu drasticamente o preço do alimento para o consumidor, melhorando a qualidade de vida da população e liberando seu poder de compra para a aquisição de bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.
O Panorama do Agro mostra que o agronegócio foi responsável por, praticamente, 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB) do país, em 2024, e a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 2,72 trilhões. Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que corresponde a 70% desse valor (R$ 1,9 trilhão), a pecuária corresponde a 30%, ou R$ 819,26 bilhões.
“Já o Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária, que corresponde ao volume produzido multiplicado pelo preço, ou seja, equivale ao faturamento bruto dentro dos estabelecimentos agropecuários, alcançou R$ 1,35 trilhão em 2024, resultado 7,4% à frente de 2023 (1,25 trilhão), dos quais R$ 886,6 bilhões foram gerados na produção agrícola e R$ 460,8 no segmento pecuário”, observa o estudo.
“A soja, em grão, é o carro-chefe da produção agropecuária brasileira, com faturamento de R$ 334,1 bilhões. O segundo lugar no ranking do VBP da agropecuária brasileira é ocupado pela pecuária de corte, com R$ 211,1 bilhões, em 2024. O terceiro maior VBP é o do milho, com R$ 128,2 bilhões, seguido da cana-de-açúcar (R$ 106,2 bilhões) e da pecuária de leite (R$ 91,7 bilhões). A carne de frango (R$ 86,1 bilhões) aparece em sexto lugar, seguido do café arábica, R$ 56,7 bilhões e da carne suína com R$ 41,9 bilhões”, afirma o Panorama.

O setor absorve praticamente 1 de cada 3 trabalhadores brasileiros, segundo o Panorama do Agro. “Até o quarto trimestre de 2024, 26% (28,2 milhões) do total de 108,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram do agronegócio. Desses, 7,95 milhões (28,2%) desenvolviam atividades de agropecuárias primárias, 10,18 milhões (36%) nos agrosserviços, 4,73 milhões (16,8%) na agroindústria e 5,04 milhões no autoconsumo (17,9%), por fim, 315,1 mil trabalhadores no setor de insumos (1,1%)”.
Com relação ao comércio internacional, de acordo com o Panorama do Agro do CNA, 49% das exportações brasileiras, em 2024, foram de produtos do agronegócio. “Também há forte contribuição do agronegócio para o desempenho da economia brasileira. Isso fica evidente no gráfico 1, que mostra como o superávit comercial do agronegócio brasileiro mais que supera o déficit comercial dos demais setores da economia brasileira, garantido sucessivos superávits na Balança Comercial Brasileira”.

Conforme o Panorama do Agro, mesmo com muitos desafios, nos mercados doméstico e internacional, aumentaram significativamente os destinos e a diversidade de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro. “Com mais de 200 parceiros comerciais – entre países e territórios –, as exportações do agronegócio nacional se distribuem pelo mundo como mostra o gráfico 2. A China respondeu por 30% do valor das exportações do setor em 2024, o que que equivale a US$ 49,7, seguido pela União Europeia com 14% (US$ 23,2 bilhões), dos Estados Unidos (7%; US$12,1 bilhão), da Indonésia (3%; US$4,3 bilhões), do Vietnã (3%; US$3,9 bilhões). Outros destinos perfizeram o percentual restante das exportações do agronegócio, 43%, equivalente a US$71,2 bilhões”.

De acordo com o Panorama do Agro, no que diz respeito aos produtos exportados, o Brasil é, atualmente, o maior exportador de soja, café, suco de laranja, açúcar, carne bovina e de frango e algodão; segundo maior exportador de milho e quarto maior exportador de carne suína (figura 2). “Em relação à produção, o Brasil é o maior produtor de soja, café, suco de laranja e açúcar; o segundo maior produtor de carne bovina e frango; o terceiro maior produtor de milho e de algodão e quarto maior produtor de carne suína”.

“De acordo com os dados do TradeMap (2024), o Brasil foi o segundo maior exportador mundial de produtos agropecuários em 2023, movimentando cerca de US$ 149,7 bilhões, atrás apenas dos Estados Unidos, com US$ 180,1 bilhões. A lista das dez principais economias agroexportadoras pode ser conferida na tabela 1. O valor das exportações agropecuárias no Brasil cresceu 6,7% de 2022 para 2023, valor superior ao de seus principais competidores, bem como da média mundial (0,7%). Já os Estados Unidos reduziram as exportações do setor em 11,4%”, mostra o Panorama do Agro da CNA.




