
Busca pela qualidade e a valorização dos produtos feitos no Estado são marcas registradas do pavilhão.
O Pavilhão da Agricultura Familiar foi palco do 14° Concurso de Produtos da Agroindústria Familiar. Vinculado à programação da Expointer 2026, a seleção premiou as melhores amostras da produção do mercado formal de alimentos no Estado apresentadas na feira.
Ao longo de três dias de avaliações sensoriais, a comissão julgadora, composta por especialistas de instituições renomadas, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e a Embrapa Uva e Vinho, analisou às cegas centenas de amostras codificadas de bebidas, embutidos, lácteos, doces e erva-mate.
Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o evento evidencia a capacidade competitiva dos pequenos produtores do Rio Grande do Sul. “O concurso incentiva a constante melhoria e a abertura de novos mercados consumidores para as agroindústrias familiares”, destacou.
Critérios rigorosos para a premiação
Os jurados avaliaram atributos específicos para cada segmento utilizando escalas hedônicas e fichas descritivas detalhadas. Em caso de empates na classificação final de produtos como queijos e doces, a maior pontuação no atributo “sabor” foi utilizada como critério definitivo para determinar os vencedores.
Os três primeiros colocados de cada categoria receberam rosetas condecorativas exclusivas, enquanto todos os participantes do certame foram agraciados com certificados oficiais de participação.
Integração entre inovação e tradição
Cada agroindústria possui uma história única, mas todas têm em comum a busca pela qualidade e a valorização dos produtos feitos no Rio Grande do Sul. Entre as campeãs da Expointer, tradição e inovação aparecem lado a lado.
Estreante na Expointer, o doce de leite produzido por Cátia Grespan, da Agroindústria Grespan, de Carlos Barbosa, conquistou o primeiro lugar na categoria. A empresa foi aberta em dezembro de 2025 e participa da feira pela primeira vez com um produto que aposta na qualidade e no sabor do leite produzido na própria propriedade.
Cátia explicou que o diferencial está justamente em preservar as características do leite fresco. “O nosso entendimento é a questão de preservar exatamente o frescor e o sabor do leite. A gente tem a produção de leite direto da fazenda, então consegue produzir o leite e industrializar na sequência. Associado a isso, também temos o controle do açúcar. O nosso produto é reduzido em açúcar, o que preserva justamente essas características de não ser tão doce e de ser nutricionalmente mais saudável”, destacou.
Se de um lado há quem inove com uma nova agroindústria, de outro há quem busque no passado a inspiração para produzir de forma diferente. É o caso da Erva-Mate Barbaquá Machadinho, de Machadinho, que utiliza o sistema tradicional de secagem lenta da erva-mate, conhecido como barbaquá.
Para os produtores, o reconhecimento na Expointer representa uma recompensa pelo trabalho realizado ao longo do ano. “Foi muito prazeroso. A gente trabalha tanto por um produto e, daí, chegar aqui e ser reconhecido, para nós é uma honra muito grande”, explicou a produtora Ana Lucia da Fonseca.
A inspiração vem de um método utilizado tradicionalmente pelos indígenas. “A nossa erva é uma erva de antigamente, como eu disse, que é o que os indígenas faziam, o sistema barbaquá. Então a gente resolveu trazer de volta esse produto, porque está tão difícil hoje um produto artesanal. Ela seca 24 horas para ficar pronta. E agora estamos trabalhando dia e noite, fazendo fogo para secar a erva”, ressaltou Ana Lucia.

O queijo colonial talvez seja um dos produtos mais tradicionais do Rio Grande do Sul. Mesmo assim, as agroindústrias conseguem imprimir características próprias e conquistar a atenção dos avaliadores. Entre as grandes campeãs está uma veterana: a Ferrari Alimentos, de Carlos Barbosa. Segundo a produtora Naires Ferrari, a agroindústria participa da Expointer há 23 anos e agora comemora mais uma conquista: o primeiro lugar na categoria de melhor queijo colonial tradicional do Estado.
Para Naires, o resultado é uma confirmação de que tradição e dedicação continuam fazendo a diferença. “Muitas vezes as pessoas acham que é um produto comum, mas o colonial é um queijo que praticamente tem aquele sabor de sempre, lá de trás. É uma coisa mais tradicional mesmo”, afirmou.
Entre produtos estreantes e marcas que carregam décadas de história, as campeãs mostram que, no campo e na agroindústria gaúcha, inovar não significa necessariamente abandonar o passado. Muitas vezes, significa justamente encontrar novas formas de valorizar aquilo que já faz parte da tradição.

Cachaça Prata
- 1º lugar: Cachaça Wille (Poço das Antas)
- 2º lugar: Cachaçaria Pol (Marau)
- 3º lugar: Cachaçaria Strohut (Nova Boa Vista)
Cachaça Envelhecida – Carvalho
- 1º lugar: Cachaçaria Invito (Novo Hamburgo)
- 2º lugar: Weber Haus (Ivoti)
- 3º lugar: Harmonie Schnaps (Harmonia)
Cachaça Envelhecida – Amburana
- 1º lugar: Cachaçaria Tibola (Gentil)
- 2º lugar: Hamonie Schnaps (Harmonia)
- 3º lugar: Cachaça Wille (Poço das Antas)
Doce Cremoso de Figo
- 1º lugar: Agroindústria Guerra (Tenente Portela)
- 2º lugar: Casa do Sabor (Paraí)
- 3º lugar: Geleias Ivani (Bento Gonçalves)
Doce de Leite
- 1º lugar: Granja Grespan (Carlos Barbosa)
- 2º lugar: Laticínio La Serrana (Barros Cassal)
- 3º lugar: Queijaria Tradição (Nova Petrópolis)
Erva-Mate
- 1º lugar: Barbaquá Machadinho (Machadinho)
- 2º lugar: Rainha do Sul (Novo Barreiro)
- 3º lugar: Fonte Nativa (Novo Barreiro)
Licor – Base Cachaça
- 1º lugar: Cachaçaria Weber Haus (Ivoti)
- 2º lugar: Cachaçaria Invito (Novo Hamburgo)
- 3º lugar: Casa Bucco (Bento Gonçalves)
Linguiça de Carne Suína Defumada
- 1º lugar: Embutidos Andreis (Gramado)
- 2º lugar: Viz Embutidos (Presidente Lucena)
- 3º lugar: Embutidos Coloniais Mewius (Picada Café)
Mel
- 1º lugar: Apiário Dapper (Três Passos)
- 2º lugar: Teixeira Viana (Sertão)
- 3º lugar: Avapis (Vacaria)
Melado Batido
- 1º lugar: Cana Nobre (Nova Boa Vista)
- 2º lugar: Klarsul (Lajeado)
- 3º lugar: Sobucki (Caibaté)
Melado Líquido
- 1º lugar: Doces Silva (Santo Antônio da Patrulha)
- 2º lugar: Klarsul (Lajeado)
- 3º lugar: Acedi Alimentos (Santa Clara do Sul)
Queijo Artesanal Serrano
- 1º lugar: Queijaria Rodeio das Pedras (Jaquirana)
- 2º lugar: Queijaria Terra Altas (Jaquirana)
- 3º lugar: Queijaria Vó Cenira (Bom Jesus)
Queijo Autoral
- 1º lugar: Ovelha Arteira (Picada Café)
- 2º lugar: Camponês Produtos Artesanais (Jóia)
- 3º lugar: Chácara dos Padres (Bom Jesus)
Queijo Colonial
- 1º lugar: Ferrari Alimentos (Carlos Barbosa)
- 2º lugar: Queijaria Tradição (Nova Petrópolis)
- 3º lugar: Zago (Hulha Negra)
Salame Tipo Italiano
- 1º lugar: Nostra Família/Bisolo (Frederico Westphalen)
- 2º lugar: Nono Honório (Garibaldi)
- 3º lugar: Santa Bárbara (Caxias do Sul)
Suco de Uva Integral
- 1º lugar: Vinícola De Cézaro (Farroupilha)
- 2º lugar: Coopernatural (Picada Café)
- 3º lugar: Casa Zottis (Bento Gonçalves)
Vinho Branco Fino Seco
- 1º lugar: Vinhos Adams (Nova Petrópolis)
- 2º lugar: Speranza Vinhos (Bento Gonçalves)
- 3º lugar: Adega Mascarello (Flores da Cunha)
Vinho Branco de Mesa Seco
- 1º lugar: Vinhos Seu Zé (Caxias do Sul)
- 2º lugar: Casa Hevian (Caxias do Sul)
- 3º lugar: Adega Mascarello (Flores da Cunha)
Vinho Tinto Fino Seco
- 1º lugar: Conquista de Santana (Santana do Livramento)
- 2ºlugar: Sítio Rosa do Vale (Poço das Antas)
- 3º lugar: Vinhos Foresti (Pinto Bandeira)
Vinho Tinto de Mesa Seco Bordô
- 1º lugar: Adega Carrini (Cacique Doble)
- 2º lugar: Vinícola Herves (Campestre da Serra)
- 3º lugar: Vinhos Seu Zé (Caxias do Sul)
Vinho Tinto de Mesa Seco Outras Variedades
1º lugar: Adega Carrini (Cacique Doble)
2º lugar: Casa Zottis (Bento Gonçalves)
3º lugar: Vinho Foresti (Pinto Bandeira)
Gerais.
Texto: Guilherme Granez e Mauricio Sena/Ascom Expointet
Edição: Ascom Expointer

