{"id":5812,"date":"2026-03-11T14:35:54","date_gmt":"2026-03-11T17:35:54","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmaisagro.com\/?p=5812"},"modified":"2026-03-11T14:35:54","modified_gmt":"2026-03-11T17:35:54","slug":"pesquisa-avalia-algas-brasileiras-como-bioestimulante-em-graos-sob-estresse-hidrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmaisagro.com\/?p=5812","title":{"rendered":"Pesquisa avalia algas brasileiras como bioestimulante em gr\u00e3os sob estresse h\u00eddrico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><em>Testes com trigo em casa de vegeta\u00e7\u00e3o mostraram crescimento radicular de at\u00e9 12%<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pesquisadores da\u00a0Embrapa Agroenergia\u00a0(DF) estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante capaz de aumentar a toler\u00e2ncia de culturas agr\u00edcolas ao d\u00e9ficit h\u00eddrico. Testes conduzidos em casa de vegeta\u00e7\u00e3o com canola e trigo cultivados no Cerrado registraram incrementos de at\u00e9 160% na forma\u00e7\u00e3o de s\u00edliquas (vagens que abrigam as sementes da canola) e de at\u00e9 12% no crescimento das ra\u00edzes do trigo, caracter\u00edsticas associadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da produtividade em condi\u00e7\u00f5es de seca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O projeto, batizado de Algoj (termo inspirado na palavra &#8220;alga&#8221; em esperanto), conta com a parceria da empresa\u00a0CBKK\u00a0e recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto na canola o impacto aparece na forma\u00e7\u00e3o das s\u00edliquas, estruturas que definem o potencial produtivo, no trigo o efeito est\u00e1 associado ao crescimento radicular, estrat\u00e9gia que pode proteger o desempenho da cultura sob estresse h\u00eddrico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esses experimentos ainda precisam ser realizados em condi\u00e7\u00f5es de campo, uma vez que em casa de vegeta\u00e7\u00e3o, a temperatura e a umidade relativa do ar s\u00e3o controladas. Mas os resultados j\u00e1 s\u00e3o promissores, na opini\u00e3o das pesquisadoras\u00a0Simone Mendon\u00e7a\u00a0e\u00a0Patr\u00edcia Abr\u00e3o, que lideram o projeto desde 2023.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><strong>Algas marinhas: gera\u00e7\u00e3o de renda a partir da biodiversidade brasileira<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">O objetivo \u00e9 desenvolver uma solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica eficiente e de qualidade com base em mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel, no caso as algas marinhas do Brasil. Al\u00e9m de poderem ser cultivadas em abund\u00e2ncia em toda a costa do Pa\u00eds, elas geram emprego e renda para pescadores brasileiros, configurando-se como alternativa de trabalho e renda financeira a partir de produtos da biodiversidade nacional. \u201c\u00c9 uma oportunidade para o produtor trabalhar com materiais da nossa biodiversidade e investir em a\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m contribuam para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, ressalta Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo de dois anos de pesquisa, foram estudados quatro tipos de algas marinhas, das quais tr\u00eas foram selecionadas para a continuidade da pesquisa. O foco inicial foi na extra\u00e7\u00e3o de metab\u00f3litos secund\u00e1rios, subst\u00e2ncias que potencializam comportamentos importantes no desenvolvimento e crescimento das culturas. \u201cOs metab\u00f3litos secund\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o os componentes principais da planta, como os relacionados com prote\u00edna, lip\u00eddio e carboidrato. Eles existem em pequen\u00edssimas quantidades, mas t\u00eam a\u00e7\u00e3o de sinalizadores qu\u00edmicos em outros organismos (plantas)\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chegar a esses metab\u00f3litos, chamados de fitorm\u00f4nios, n\u00e3o foi f\u00e1cil. O primeiro desafio da pesquisa foi identificar m\u00e9todos de extra\u00e7\u00e3o que conseguissem retirar o m\u00e1ximo poss\u00edvel desses compostos das algas. De acordo com Mendon\u00e7a, os primeiros estudos avaliaram o modo de secagem, pois, como as algas secam ao sol, era importante verificar se esse m\u00e9todo destru\u00eda ou n\u00e3o os componentes. \u201cEstudamos o perfil metab\u00f3lico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extra\u00e7\u00e3o para cada alga. Fizemos v\u00e1rias tentativas para ver qual m\u00e9todo melhor extrairia os metab\u00f3litos\u201d, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cForam selecionados quatro extratos a partir de testes com mudas de tomate\u201d, conta a pesquisadora. Os primeiros experimentos aconteceram em casa de vegeta\u00e7\u00e3o com a variedade de tomate grape (uva)\u00a0BRS Zamir, uma cultivar da Embrapa, com todas as condi\u00e7\u00f5es de nutri\u00e7\u00e3o e de \u00e1gua que a cultura exige. Saiba mais sobre o projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/busca-de-projetos\/-\/projeto\/220673\/bioestimulante-obtido-de-macroalga-cultivada-no-brasil-para-aumento-da-produtividade-em-cultivos-agricolas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqu<\/a><a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/en\/busca-de-projetos\/-\/projeto\/220673\/bioestimulante-obtido-de-macroalga-cultivada-no-brasil-para-aumento-da-produtividade-em-cultivos-agricolas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">i<\/a>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><strong>Experimentos com gr\u00e3os do Cerrado mostram bons resultados<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">A pesquisa partiu ent\u00e3o para experimentos com gr\u00e3os de trigo e de canola, que s\u00e3o culturas em expans\u00e3o no Cerrado para cultivo de inverno. O Cerrado \u00e9 o segundo maior bioma brasileiro, cujo per\u00edodo de estiagem, de maio a setembro, tem se tornado cada vez mais seco nos \u00faltimos 30 anos. O trigo e a canola foram selecionados porque passam por grande per\u00edodo de estresse h\u00eddrico durante a longa estiagem t\u00edpica do inverno. Esses ensaios identificaram dois extratos de algas com potencial para aplica\u00e7\u00e3o nessas culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na canola, o uso de uma das formula\u00e7\u00f5es desenvolvidas n\u00e3o apenas antecipou o florescimento, como garantiu bom desempenho sob restri\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, enquanto plantas tratadas com um produto comercial de refer\u00eancia n\u00e3o mostraram ganhos significativos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><strong>Testes em casa de vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">O pesquisador\u00a0Agnaldo Chaves\u00a0alerta que, apesar da alta porcentagem de incremento na produ\u00e7\u00e3o de s\u00edliquas por planta no cultivo da canola, \u00e9 preciso discernir que esse n\u00famero foi atingido em condi\u00e7\u00f5es controladas de temperatura e umidade relativa do ar em casa de vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo ele, n\u00e3o haver\u00e1 a mesma propor\u00e7\u00e3o em testes de campo com 400 mil plantas por hectare, mas sinaliza que existe grande potencial de replicar uma boa produtividade nas lavouras. \u201cSe conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, j\u00e1 seria um \u00f3timo incremento\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pesquisador conta que, entre as formula\u00e7\u00f5es testadas, duas tiveram bom desempenho com a canola e uma com o trigo de sequeiro (sem irriga\u00e7\u00e3o). No caso do cereal, foram registrados crescimento de volume e comprimento da raiz entre 10 e 12%. \u201cNos dois casos, s\u00e3o efeitos ben\u00e9ficos que acreditamos serem replic\u00e1veis em condi\u00e7\u00f5es de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores per\u00edodos sem precipita\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a canola, os testes foram de aproximadamente 100 dias, e a planta chegou at\u00e9 a fase reprodutiva. J\u00e1 o ensaio do trigo alcan\u00e7ou a fase vegetativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chaves enfatiza que os resultados obtidos em casa de vegeta\u00e7\u00e3o estimularam a continuidade do projeto, seguindo para valida\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es experimentais no campo e, posteriormente, em \u00e1reas de produtores de diferentes regi\u00f5es.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><strong>Conserva\u00e7\u00e3o do bioinsumo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m da efic\u00e1cia biol\u00f3gica, a pesquisa superou outros gargalos, como o transporte e a conserva\u00e7\u00e3o do bioinsumo. Como o transporte de extratos l\u00edquidos \u00e9 caro e pode propiciar a degrada\u00e7\u00e3o, os cientistas investiram no desenvolvimento de um extrato seco (p\u00f3 molh\u00e1vel) atrav\u00e9s do processo de spray dryer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO desafio era evitar que o calor destru\u00edsse os fitorm\u00f4nios sens\u00edveis das algas. Com o uso de adjuvantes espec\u00edficos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para at\u00e9 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte\u201d, observa Mendon\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"texto-noticia\" style=\"text-align: justify\">\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h3><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/h3>\n<p>Com o ciclo de laborat\u00f3rio e de casa de vegeta\u00e7\u00e3o conclu\u00eddo em janeiro de 2026, o projeto busca agora a renova\u00e7\u00e3o da parceria para a realiza\u00e7\u00e3o de experimentos no campo, com o objetivo de estabelecer recomenda\u00e7\u00f5es de dosagem e per\u00edodos de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que ainda h\u00e1 muitas quest\u00f5es a serem respondidas pela pesquisa. Ainda n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o, por exemplo, se o melhor m\u00e9todo \u00e9 fazer a mistura de algas ou recomendar usos diferentes para cada uma delas. Outra quest\u00e3o \u00e9 avaliar o comportamento do extrato em regi\u00f5es que apresentam boa distribui\u00e7\u00e3o de chuvas e em locais onde a chuva \u00e9 irregular ao longo do ciclo de produ\u00e7\u00e3o. \u201cSomente os testes em campo \u00e9 que nos possibilitar\u00e3o ter essas respostas\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ela acredita no potencial das algas para oferecer uma recomenda\u00e7\u00e3o pronta para o mercado, seja para regi\u00f5es com pouca chuva ou como uma alternativa em caso de veranicos.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div class=\"clear\" style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div class=\"unidade\">\n<p class=\"autor\" style=\"text-align: justify\"><strong><span class=\"autor negrito\">Cristiane Vasconcelos\u00a0<\/span><span class=\"codigo negrito\">(MtB 1639\/CE)<\/span><\/strong><br \/>\n<strong><span class=\"unidade\">Embrapa Agroenergia<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testes com trigo em casa de vegeta\u00e7\u00e3o mostraram crescimento radicular de at\u00e9 12% Pesquisadores da\u00a0Embrapa Agroenergia\u00a0(DF) estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante capaz de aumentar a toler\u00e2ncia de culturas agr\u00edcolas ao d\u00e9ficit h\u00eddrico. 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